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Sábado, Maio 20, 2006


(tantos e tão giros... só maçadas)

Sexta-feira, Maio 12, 2006

Caras bloggers e leitoras em geral,
para que saibam, não vale grande coisa, o último filme do Spike Lee: o Denzel Washington está de bigodinho e o Clive Owen aparece dois terços do filme com a cara tapada. Lamentável. Por outro lado, o twist final de que fala a crítica nos jornais, não o é (cambada de totós, mas qual twist qual quê!). À boa maneira de uma spike lee joint, os diálogos são irresistivelmente inteligentes e alguns planos de câmara são quase geniais. Apesar dos ameaços, e estranhamente, não há nenhuma cena de sexo escaldante entre afro-americanos, e a ideia de pôr a eterna-campónia-clarice-jodie-foster a fazer de uma sofisticada upper class bich novaiorquina, só pode ser para rir: não via tamanho miscasting desde que o Oliver Stone pôs a Angelina Jolie a fazer de mãe do Alexandre o Grande.
No entanto. Nos poucos grandes planos em que aparece, Clive Owen fala baixo e pausadamente, olha directamente para a câmara, ameaça com aquele sorriso meio trocista que lhe conhecemos e apresenta uma barba de três dias na carinha de boxeur amachucado, conforme ilustração junta:


Portanto, companheira, palhaça, amiga: se és daquelas que não se coíbe nas manifestações verbais de excitação física e se baba com facilidade, leva uma caixa de Kleenexes e vai ver o filme com uma amiga ou com o teu amigo gay, e esquece o marido ou o namorado em casa.

(Ah! E a música é gira e por isso já cá canta ... e toca!).

Quarta-feira, Maio 10, 2006

lá está...
(mais um teste que retrata o meu innerself)

"E às 5 e meia em ponto, telefonas-me a dizer /Não sei viver sem ti amor, não sei o que fazer. Faz-me favas com chouriço, o meu prato favorito / Quando chego pra jantar, quase nem acredito. Vestiste-te de branco, uma flor nos cabelos / Os miúdos na cama e acendeste a fogueira.Vou ficar a vida inteira a viver dessa maneira, / Eu e tu, e tu e eu, e tu e eu e tu.


"Você é A Pouco e Pouco : aparentemente, você é um cidadão pacato e respeitável, com uma vida banal dividida entre o seu lar e o seu emprego. Porém, e apesar do seu assumido gosto pelas coisas simples e quotidianas da vida e da realidade portuguesa, esconde manias bizarras."

Via Cai Neve em Nova Iorque

Ver ou rever "A Lista de Schindler" é como levar com um enorme pedregulho nos cornos. É o melhor e o mais adulto filme de Spielberg, e o único onde ele revelou todo o seu génio. Depois deste filme, tem sido sempre a descer. É maravilhoso, belíssimo, insuportável de se ver e comove ao ponto da náusea, do primeiro ao último minuto. Foda-se.

Terça-feira, Maio 09, 2006

minha querida,
Estás terminantemente proibida de fazeres o disparate que eu fiz e de acabares com qualquer um dos teus blogues. Eu explico-te porquê. Como bem sabes, as pessoas raramente são o que parecem: quando as conhecemos, trazem já o lastro de muita outra gente agarrado às suas caudas. Esses, os que vêm a reboque dos que entram nas nossas vidas assim como cometas, entendem que antiguidade é post(o) e arrogam-se coisas. Direitos. Quer sejam gentis e generosos ou invejosos e ressabiados, escrutinam-nos e esmiuçam-nos, na busca de vestígios palpáveis desse cometa a que resolveram um dia atrelar-se. E nós, entretanto, algures na nossa vidinha, a brincarmos aos afectos (sejam eles de que natureza forem) com o cometa. Tu, portanto, na tua: sem saberes que existem movimentações várias na retaguarda, sem sonhares com estratégias que se acertam, por parte de quem presume saber sobre ti, à conta da exposição por que um dia optaste.
Tu, a leste (sempre a leste), continuas a escrever, apenas (pensas tu e bem) para os que gostam de ti ou, pelo menos, para os que gostam do que escreves. Não queres saber de maquinações nem de conspirações, nem, muito menos, de quem sabe o quê sobre quem e para quê. Continuas a escrever e a falar sobre a tua pessoa e aqueles de quem mais gostas, bem como sobre as pequenas e grandes coisas que te vão acontecendo. Dás opiniões. Estás-te nas tintas para que te dissequem vírgulas e sentidos, e até achas graça a que te roguem pragas por viveres à tua maneira. Até que, um dia, surge uma criatura obscura que nem nome tem, na posse de coisas que seriam só tuas e, eventualmente, de outrém. Coisas que em si nada são e que tu sabes não vir grande mal ao mundo que se saibam, não fosse dar-se o caso de serem bocados do teu interior, ruminados vezes sem conta nas tuas entranhas, digeridos com os teus quimo e quilo, oxigenados nos teus pulmões. Sentes-te devassada, violada, virada do avesso; foste vítima de uma cirurgia invasiva, a sangue-frio. Saberes que aquele alguém sabe aquilo é muito pior do que aquilo (que nem segredo é) ter saído nas parangonas de todos os jornais diários do país. É uma sensação horrível. Porque tu nunca te importaste um corno sobre o que pudessem dizer de ti, nem que te chamassem nomes, que te invejassem e criticassem, que escarrapachassem quem és, onde moras e onde trabalhas - com isso sempre pudeste bem, até porque pouco ou nada tens a esconder. Agora, a baba e ranho que te corre por dentro, nas veias, tu é que escolhes, onde e quando a verter para fora - TU, e não outros.
Urge-te, por isso, pores um ponto final em qualquer coisa, sentes-te até ligeiramente culpada pelo que aconteceu, de alguma maneira ter-lhe-ás dado azo. Parece-te deveras importante, o assalto que sofreste, foste traída e queres livrar-te a todo o custo do fedor da intrusão que se te colou à pele. Mas não te esqueças, minha querida: o cometa, por esta altura, já lá vai espaço fora, com a gente do costume pendurada, a reboque da vida alheia, numa relação de simbiose que lembra a dos animais, coças-me o lombo, dou-te um insecto. Enquanto tu, continuas com a tua vida: razoavelmente feliz, cheia, independente, inspirada, a achares que o que escreves só é lido por quem te gosta, que essa é a verdade só a verdade e nada mais do que verdade.
E é mesmo: o que escreves só é lido por quem te gosta. Repara, este post, por exemplo, é só para ti. É ou não é? E, na nossa vida, este espacinho limitado por fronteiras curtas mas carregadinhas de guardas republicanos atentos ao contrabando, só deve haver lugar para quem nos gosta e vice-versa. O resto é paisagem: paisagem desbotada, cócegas no coração, névoas matinais e caudas de cometa. Puf!
:)

Segunda-feira, Maio 08, 2006

a verdade é que nós, mulheres,
nem nos importaríamos de usar as mesmas t-shirt branca e jeans coçadas todos os dias. A sério. Porque o que nos interessa mesmo possuir, deter, contabilizar, amontoar, empilhar, guardar e abarbatar com olhar alucinado tipo prrrecious, my prrrecious..., o que nos leva aos limites da concupiscência e nos põe a fazer contas de cabeça a ver quanto valem os filhos no mercado da adopção paralela, são...nem mais: os sapatos, meus amigos, os sapatos - ou coisas para os pés, em geral. Eu, que dentro desta categoria abrangente, sou doida pela sub-espécie sandália de salto altíssimo, de preferência com plataforma e cunha, exijo apenas que as ditas sejam de design e fabrico italiano, pois só os italianos conseguem transformar o look trashy de umas sandálias à travesti do Bois de Bologne, num objecto absolutamente irresistível. É por tudo isto que existem datas importantes - como as do dia em que nascemos e em que nos casámos - e outras absolutamente indispensáveis, como o foi o 5 de Maio passado, sexta-feira, graças a uma amiguinha tamanho 35, que partilhou comigo um convite VIP (sabendo, no entanto, de antemão, que calço 36 e meio...), para a preview do Stockmarket, na fundição de Oeiras (mas poderiam ter-lhe chamado Stock da Boutique Ayer e da Stivali, que tinha ido dar ao mesmo...). Sandálias de quatrocentos aéreos a cinquenta, minhas amigas, foi o que foi. Vários pares, vários pares no saco, a caminho do roupeiro, prateleira de baixo. Isso, isso: roam-se, que eu gosto. Podemos até ir tomar chá, um destes dias, para eu me exibir.
O Passeai, Flores!... mudou-se aqui para a maresia:

Filho do meio, que por acaso hoje faz dez anos, em pleno balanço existencial e deitando contas à vida:
- Mãe, quando morrer, quero ser enterrado no cemitério aqui da aldeia.*
(pausa para reflexão)
- Ou então, espera... pode ser no Mosteiro da Batalha.
(segunda pausa)
- Pensando melhor... quero mas é que seja debaixo da casota do Mambo.**

* a das férias e fins-de-semana.
** o cão dele

BBC Wild Life Live

A colmeia está cada vez maior e parece uma daquelas lanternas de papel dos santos juninos:

É claro que o acesso ao interior da casa está quase interdito, porque ao redor da dita existe, basicamente, isto:

Para chatear, as nêsperas melhores estão lá bem no cimo, onde não lhes chegamos:

E o que fazer destes quatro, encontrados hoje dentro de um caixote na garagem?

Pois é, a vida chama-me (literalmente!), pelo que a escrita terá que esperar.

Domingo, Maio 07, 2006

... e, no DIA DA MÃE,

todas ao Bad Mother´s Club.

Ou, a vida como ela (às vezes) também é. De verdade. Com verdade.


Quarta-feira, Maio 03, 2006

é claro que, importante, importante...


...é o facto de ter os meus jamesons, cardhus, bombays, remy martins, ginginhas, marcs de champagne, baileys e águas tónicas, reféns de um enorme enxame de abelhas de mel, que resolveu construir uma colmeia sobre os atoalhados de exterior (os plásticos, portanto). Depois de a minha cadela virgem ter desatado a amamentar gatos, de um casal de corujas brancas me ter entupido as chaminés com os frutos do seu amor (que chiam que se fartam), de saber que tenho uma colónia de toupeiras a minar-me o subsolo, de os gatos insistirem em mimar-me com cabeças decepadas de musaranhos, que depositam carinhosamente no meu tapete da entrada, e de ter os cantos dos quartos forrados a aranhas de estimação dotadas de nomes próprios, constato que a minha vida continua com um pendor marcadamente national geographic.

(sim: aquela nascida escura é a colmeia, aquilo são abelhas às centenas e a má qualidade da foto é justificada por ser de telemóvel e tirada de muito, muito longe)

Terça-feira, Maio 02, 2006

A pretexto do concerto da Ana Carolina (maravilhosa! fantástica! divina!) no pomposamente denominado Auditório dos Oceanos (que mais parece o fundo dos ditos, ou mesmo a crosta terrestre, atenta a negritude circundante), fui ao Casino de Lisboa. O Casino de Lisboa é assim uma espécie de poço muito escuro, muito fundo e claustrofóbico q.b., só que, ao invés de nos encontrarmos lá em baixo com os ossos da Samara do The Ring (quem sabe do que falo, sabe do que falo) a chocalharem, os ossos que chocalham (contra nós e uns contra os outros) são os da inteira população da zona j de Chelas, que resolveu descer ao rio e assim readaptar o passeio dos tristes à modernidade dos tempos. Sempre que quiser perder vinte aéreos, continuarei a preferir arriscar-me às curvas da marginal: definitivamente, eu é mais aquela coisa kitsch e meio foleira do Casino do Estoril, com o seu glamour provinciano do antigamente e verdadeiramente decadente, como um casino deve ser - e, mesmo assim, só para aí uma vez a cada dois anos. Ainda por cima, tem um restaurante chinês fabuloso. E quanto a máquinas, estamos conversados: só slots daquelas de dar à manivela, pois não acredito nem por um bocadinho que a sorte e a felicidade nos cheguem por computador e nos apareçam assim, escarrapachadinhas num ecrã digital. Tá bem tá.