Segunda-feira, Julho 31, 2006
Sexta-feira, Julho 28, 2006
"Que arda no Inferno a besta humana ou cibernética que ofereceu ao Pacheco Pereira a sua última glória: o martírio."
RAP, in Gato Fedorento.
Quinta-feira, Julho 27, 2006
Terça-feira, Julho 25, 2006

É herdeiro de uma das maiores fortunas da cidade, mas o seu sonho é ser o rei do karaoke. Com uma voz desafinada e a figura de um buldogue choroso, rabiscada à pressa por um deus sem paciência, todo ele cresce em sentimento quando canta, de olhos fechados, New York New York, iluminado por um talento que não tem. Agarrado ao microfone que gasta pilhas LR, sente-se um verdadeiro Sinatra, um Roberto Carlos ou, melhor ainda, um Tony Carreira, coliseu ao rubro, ninguém arreda pé que queremos mais. Tomado de uma inexplicável paixão pelo gorgolejo romântico sob as luzes infecciosas da ribalta, indagou nas melhores lojas da especialidade (e que ficam na margem sul, essa terra de bandas de garagem e de gente que não tem vergonha de gostar de música), onde gastou vários milhares de euros numa caixa profissional, do mais evoluído que pode haver e muitos furos acima das que se vêem naqueles bares de ingleses à beira-rio. Foi à net e comprou cedês, caixas inteiras deles, cd1, cd2 ... cd345; Madonna, Beatles, Rute Marlene, Quim Barreiros, Spice Girls, Elton John, Rui Veloso, Emanuel, música 06, 25, 34. Comprou uma pickup japonesa de vidros fumados, ao estilo velocidade furiosa, só para transportar toda a parafernália sonora, incluindo duas colunas de 400 watts, microfones e dezenas de pilhas LR, que numa noite vão-se às dúzias (desliguem os micros quando acabarem de cantar, por favor!). Quando não assiste os amigos nas festas, fecha-se na garagem da vivenda de três andares, que reflecte nos ajulejos a falta de gosto e o excesso de liquidez, e arrisca trinados e escalas impossíveis, pondo o Tejo e o Mondego a ganir em fuga para o andar de cima. E tudo porque, dentro do construtor civil dos quisestes e fizestezio, mora uma alma sensível à música, a toda a música, que sonha com o aconchego do estrelato internacional por entre as distribuições de lucros do ano anterior. O ar compenetrado e a disponibilidade fácil com que atende os pedidos (por ordem de chegada), escritos com risinhos de nervoseira em posts its próprios que traz consigo para o efeito (nada é deixado ao acaso), contrasta com a displicente chanata havaiana, o calção-corsário que mais parece do filho, a t-shirt rasgada à hard rock e o boné na cabeça ao contrário, à brasileiro do samba e do pagode. O vocabulário reduzido de quem está mais habituado a separar tipos de tijolos e de pavimentos do que sílabas e orações, não lhe impede a eloquência melancólica, quando encarna um Domenico Modugno e se lamenta que não é digno dela. Por detrás da postura grosseira enfeitada a pólos D&G e rolexes de ouro, esconde-se no fundo um espírito inconformado que descobriu um dia que o dinheiro serve para mais alguma coisa do que para gerar mais dinheiro, designadamente, para comprar-lhe o gozo de contornar as barreiras da ignorância e da falta de mundo.
Domingo, Julho 23, 2006
Sexta-feira, Julho 21, 2006
e um agradecimento muito especial ao Zé (embora tristemente atrasado, é certo...) por ter composto o template aqui do controversa, com paciência e simpatia infindas.

Terça-feira, Julho 18, 2006
Os contos e historietas que escrevi neste blogue ao longo de pouco mais de dois anos, passarão a estar aqui, para quem os quiser ler ou reler.
Segunda-feira, Julho 17, 2006
Se folhearmos uma Hola! (sim, a exclamação é ao contrário, mas não sei como se faz), reparamos num dado curioso: as estrelas apresentam-se sempre, nos seus humilíssimos lares, descalças como vieram ao mundo. É extraordinário: seja o costureiro, a actriz, o toureiro ou a socialaite recauchutada; estejam num chalet em Gstaadt, numa finca andaluza, num iate em Montecarlo ou numa mansão à beira do Mar das Caraíbas, elegantemente esparramados nas suas chaise-longues, espreguiçadeiras e tumbonas, nunca abdicam do pezinho em primeiro plano. Para cúmulo, elas podem ter a cara profissionalmente maquilhada e o mais luxuoso vestido de noite, e eles, o melhor traje de gala: estão descalços na mesma. Deve ser para dar a ideia de que foram inesperadamente surpreendidos pela equipa de reportagem na intimidade no lar, ó pra mim a sair da piscina neste vestido do Ellie Saab. O problema é que há pés feios, horríveis, mesmo, e um pé feio é coisa que estraga toda uma visão de conjunto, deus sabe. Nem um bom par de maminhas, umas pernas de dois metros, uma boca pulposíssima ou uma melena bruxuleante, conseguem apagar a visão inestética de um pé disforme a sobressaltar-nos os sentidos. Quando tal me acontece, está tudo estragado. Às tantas, em vez de me centrar no magnífico pôr-do-sol que se espraia por sobre as jóias da famosa e o mobiliário de jardim indonésio, dou por mim na caça ao joanete e às calosidades, na busca da falange arqueada e dos dedos esqueléticos que parecem querer agarrar-me como mãos, ou então na quimera do dedinho porcino e, em especial, do dedão-frigideira. Não há nada mais estranho do que, na extremidade de uma perna bonita, bem torneadinha, depiladinha e bronzeada, depararmos com um dedongo espetado em forma de frigideira vista do lado da base (céus...).
Vem isto a propósito de quê? Da leitura da revista do Expresso desta semana e da entrevista e respectiva reportagem fotográfica à apresentadora Fátima Lopes. A Fátima, que até é uma mulher gira (um daqueles casos raros em que é melhor ao natural do que na televisão, que lhe aguça os traços de águia), aparece descalça. Uma pessoa está descontraída no seu fim-de-semana, a beber o seu café na pastelaria da esquina, e vai de apanhar com um dedão-frigideira e uma planta-do-pé-paelheira em plena cara. Não se faz. Está a senhora a mostrar toda a sua beleza e à-vontade natural, a gente a ver e a gostar e tungas!, toma lá com um pé largo e grosso que mais parece o de uma camponesa trepadora. É claro que eu, à conta deste estranho fetiche ao contrário, desinteresso-me logo dos futuros projectos profissionais da senhora e de como a filha Beatriz se tornou o centro das suas prioridades (também...); a única coisa que me vem à cabeça é mas porque é que a gaja não esconde aquilo, porquê?
Entretanto, o anãozinho politicamente correcto que vive em mim ordena-me que olhe as minhas curvaturas ao espelho e repita cem vezes baixinho que ninguém tem culpa de ser como é, que a perfeição não existe e que um pé-trem-de-cozinha não é assim tão mau, até porque está lá em baixo e ninguém nota, desde que com as unhas pintadas e as peles e calosidades devidamente removidas, acrescenta ele (este meu anãozinho é um bocadinho metrossexual). Não adianta: um outro anãozinho (mora cá dentro uma comunidade lilliputiana, é certo) torce-se de repugnância à visão de esboços palmares mal-acabados. No fundo, é uma espécie de anãozinho empurra-ego: há lá vingança melhor para a nossa imperfeição terrena, do que constatarmos subitamente que essa deusa que é a Keira Nightley parece um hobbit do tornozelo para baixo, tem bartanas no lugar de pés e está uns milhões de anos atrás de nós no plano evolutivo, a cabra? Lá está, existem fixações que dão jeito.
Sexta-feira, Julho 14, 2006
Segunda-feira, Julho 10, 2006
Domingo, Julho 09, 2006
que o Passeai, Flores!... voltou!
E que, aos poucos, com tempo, os posts antigos retomarão o seu lugar.
Sábado, Julho 08, 2006
Segunda-feira, Julho 03, 2006
Domingo, Julho 02, 2006
Sábado, Julho 01, 2006
A não perder, claro.

