Vejo nas escolhas dos outros uma preocupação com o ser-se objectivo, com o mostrar que o que quer premiar (através do que se escolhe) é o mérito (da escrita, das ideias, da bagagem cultural, das opções estéticas). Há um cuidado nítido em obstar a acusações de amiguismo que possam indiciar o pagamento de favores ou, pura e simplesmente, manifestações de afecto. Quase já ninguém diz “Eu gosto deste blogue-moribundo-de-template-duvidoso-onde-se-escreve-sobre-física-quântica porque o autor é um grande amigo meu de infância.” Parece mal. Pois eu gosto em primeiro lugar dos blogues pessoais das pessoas que são minhas amigas. E dos blogues de algumas outras pessoas que eu gostava que fossem minhas amigas, mas que não são. E ainda, dos blogues de umas terceiras que, em não sendo minhas amigas e em eu até desconfiando que não gostam de mim nem eu delas, escrevem com originalidade e graça, sem me maçarem de morte (o que é difícil, convenhamos). E, por último, dos blogues de outras pessoas que nada me dizem de especial mas que objectivamente mexem comigo, seja lá de que maneira for (porque, por exemplo, me fazem rir, ou porque concordo geralmente com o que escrevem). Ah! E o meu outro blogue, claro!, o meu outro blogue: definitivamente, o melhor do ano, não me lixem.
Segunda-feira, Dezembro 17, 2007
os blogues do ano (I)


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