If there are images in this attachment, they will not be displayed. Download the original attachment controversa maresia: 03/01/2007 - 04/01/2007

Sexta-feira, Março 30, 2007

Brincar com as palavras é mais difícil do que comandar à distância um míssil gugu dada vem daí anda cá vai lá que eu tomo conta de ti faço de conta que não te vi és mesmo tolo no topo do bolo a cereja o sino da Igreja faz-me sombra prefiro uma alfombra e uma atitude zen amen dona zinha sua parvinha eu não lhe disse que ele vinha? Deprimido mas feliz que quem o sabe é quem o diz e lá vem mais um oximoro e nada que rime com isto só talvez parquímetro mas teria de ser parquímoro e uma casa feita de xisto que sinto um misto de joelheira com jardineira é primavera é dia de feira e não posso ir quem dera não me deixam sair fico aqui a rimar e a pensar de onde é que eu já te vi que até parece que te conheço a cabeça do avesso tu fica mas é caladinho menino dos anzóis que vieste e fizeste um milagre vejo sóis a girar a tirarem-me do lugar um cheirinho de vinagre o meu ser a desmaiar mas de onde vem este apreço? Ah já sei de onde te conheço desiste que não adivinhas: é de umas palavras que eram minhas.

Sábado, Março 24, 2007

Sexta-feira, Março 23, 2007

Don´t know much about biology…

Uma das cenas de amor mais bonita da história do cinema é a que se desenrola entre as personagens de Harrison Ford e de Kelly McGillis, no filme “Witness”, de Peter Weir. Ele é um polícia cínico e duro, da grande cidade, e ela, uma viúva amish, de modos ternos, presa a rituais de vida ancestrais. Amam-se, mas sabem que nunca poderão ficar juntos. Na cena de que falo, ele sedu-la, trauteando, enquanto anda à volta do carro (que estava a tentar arranjar). Acabam ambos a dançar, inocentemente e ao de leve, esquecendo, durante o tempo de uma música que sai de um pequeno rádio de pilhas, tudo o que os separa.

Terça-feira, Março 20, 2007

Carta aberta a Herman José

Isto vai de cor, que perdi o Tal & Qual a que me referirei, e a minha memória já não é o que era, do esticão que levou. Então é assim, do que me lembro, a Margarida Marante agora escreve para uma publicação cujo nome não me vem (lá está). Parece que num destes dias, resolveu dizer que o novo programa do Herman José não tinha piada nenhuma e que ele deveria tirar uma férias sabáticas para pensar melhor na vida antes de fazer programas destes. Herman José, em vez de encaixar a crítica, resolveu responder-lhe , fazendo capa no Tal & Qual, de uma forma soez, ordinária e absolutamente cruel. Eu confesso que sempre achei Herman um génio que mudou a face do humor em Portugal (sem ele, talvez não houvesse Gatos, por exo.), que merecia todos os iates que pudesse comprar e todo o dinheiro que pudesse ganhar. Também nunca o seu carácter me enganou: frio, ambicioso, calculista, mimado, egocêntrico, maldoso e com uma capacidade de encaixe mínima, por se achar uma espécie de divindade. Desta vez, Herman revelou-se no seu pior. Primeiro, começou por não reconhecer a margarida Marante qualquer legitimidade para lhe criticar o programa, insinuando que esta não tenha visto "Ricky Gervais" ou "Little Britain". Para começo de conversa, esclareçamos já umas coisas: eu devoro, a espaços, todas as séries do The Office", em especial o “Especial de Natal”, e tenho o “Ricky Gervais Live – Politics”, e o outro que é o “Animals”; já para não falar em todas as séries do Seinfeld, em a “A Louca Vida de Harrry” (autor do primeiro), nas "Absolutely Fabulous"; não perco um “American Dad” ou um “Family Guy”, nem The League of Gentlemen, entre outros. Isso fará de mim alguém legitimado a criticar um programa de humor? Ou não bastará alguém vê-lo e, pelo índice de sorrisos, de gargalhadas e de gozo que lhe provoca (ou não), ficar assim apto emitir uma opinião, pública ou privada? Em qualquer dos casos, eu emito a minha: o programa é fraco, os personagens são estranhos, não “pegam” no público, metade daquilo não se percebe, os textos são pobres. Foi uma aposta arriscada, mas falhou. E Herman, ao não conseguir engolir esta verdade, que lhe vai directamente ao desmesurado ego, resolve jogar baixo e atacar Margarida Marante em várias frentes. Primeiro começa pelo peso, insinuando que ela devia ir gastar tempo para um ginásio - o que é engraçado vindo de quem vem, um badocha pseudo-musculado. Depois, descendo ainda mais baixo faz um “faduncho” a gozar com aquela no seu programa, no qual não se coíbe de se referir directamente às alegadas dependências de Margarida Marante. Um achincalhanço nojento só porque a senhora se atreveu a dizer a verdade. Herman: o programa é fraco, fraco, fraco. E agora descubra-me os podres, crie um blogue e dedique-me um faduncho rasteiro, vá.

LINGER

Segunda-feira, Março 19, 2007

Para os que não ouviram a entrevista que dei a Pedro Rolo Duarte na Antena 1, no domingo, dia 18/03/2007 e que pode ser ouvida em http://multimedia.rtp.pt/index.php?rcanal=1, resumo telegraficamente o motivo do meu longo interregno: acidente grave, carrinho para a sucata, três horas de desencarceramento, duas costelas partidas, não sei o quê na pleura, hematoma no baço, traumatismo craniano (vinte pontos na cabeça) e… acho que é tudo. É claro que estou como nova, nem poderia ser de outra maneira. Aliás, acho que regresso ainda pior, mais ruim. Ora vamos lá.

A carta do Mantorras

Esta história tem muita piada, garanto-vos. Desde sempre (e ao contrário do que dizem os angolanos) as cartas angolanas não têm validade em Portugal, uma vez que Angola se recusou a assinar a Convenção de Viena sobre Tráfego Rodoviário, documento que rege as normais internacionais de circulação pelo mundo fora. Logicamente, e tratando-se de crime face à lei portuguesa, nas operações stop, angolano detido nestas circunstâncias é levado ao Tribunal de Pequena Instância Criminal Mais Próximo (TPIC), julgado e condenado em pena de multa. O que é engraçado é que esta pequena “revanche” de Eduardo dos Santos é a prova provada de que não basta ter cursos e usar-se fatos Armani para se ser civilizado. É claro que, não tendo ratificado qualquer convenção, nas estradas angolanas vive-se o regabofe total, e toda a gente conduz, por entre a corrupção às claras e a precariedade da legislação. Ou seja: não há lei que impeça os portugueses de lá conduzirem, o que eles fizeram até agora - parece que, entretanto, foi feita uma à pressa. E porquê? Porque o ícone máximo daquele país de treta, o aleijadinho sem sorte do Mantorras, teve o azar de ser “apanhado”, como centenas de outros jovens angolanos o são diariamente, pagando as suas multas seguramente com muito mais dificuldade do que o ídolo. Agora, ainda mais engraçado: imaginem um país à beira-mar plantado, com centenas de juízes e de delegados que seguem a única solução lógica e juridicamente possível: não ratificou a convenção, a carta não é válida, pronto. De seguida, ficcionem que existe uma pequena comarca com um TPIC que tem duas secções e dois juízos, cada um com o seu juiz e magistrado do Ministério Público. Acontece que um dos juízes (chamemos-lhe o juiz 1) acordou um dia, teve uma epifania e resolveu que, no seu juízo e a partir daquele dia, as cartas angolanas passariam a ser válidas em Portugal. A procuradora-adjunta que com ele trabalha, anuiu na tese peregrina, vá lá a saber-se porquê. A tese desenvolve a ideia mais ou menos estapafúrdia que, como Portugal assinou uma Convenção Rodoviária quando ainda era possuidor das colónias e destas fazia parte Angola, tal convenção também se aplica a Angola. É claro que passamos por cima do facto de Angola ser um país independente, com poder de auto-determinação e assim, apesar de tretoso e corrupto. Resultado prático: Cada juiz está de turno aos presos, semana sim, semana não; ora os polícias já sabem que, trazendo os angolanos ao juíz um e respectivo Ministério Público, aqueles são imediatamente soltos e o processo arquivado de imediato. Aproveitam, então, para fazer as grandes stops, as grandes rusgas, nas semanas do juiz dois, que chega a ter mais de quarenta sumários num só dia. E não há ninguém: o Conselho Superior da Magistratura, os Tribunais Superiores, a PGR - ninguém, que impunha a uniformização da questão. Angola é a República das Bananas, mas Portugal não o é menos, quando os arguidos são julgados de forma oposta graças às epifanias da independente e inamovível judicatura. Afinal, se o Mantorras tivesse sido apanhado na comarca e na semana do juiz um, não haveria notícia; o mesmo teria sido mandado na paz do Senhor e os angolanos não teriam feito a triste figura que andam a fazer, à caça de condutores portugueses. Palhaços. Todos.

Adenda: no Público de hoje vem um artigo de Rui Tavares intitulado “Sim, deixem guiar o Mantorras”. O dito artigo é um cadinho de desinformação, tentativas falhadas de humor e de paternalismo bacoco para com os angolanos. A deteminada altura, surge esta pérola (e eu cito): “ (…) os angolanos não começaram “de um dia para o outro” a confiscar cartas de condução portuguesas. Pelo contrário, fomos nós que, de 31 de Dezembro para 1 de Janeiro, começámos a confiscar cartas angolanas”. Confesso que dei a voltas a isto a ver onde estaria a ironia ou qualquer outra figura de estilo menos perceptível. Não encontrei. Ele quer mesmo dizer aquilo. E está a enganar quem o lê. Rui Tavares: desde sempre que as cartas angolanas são inválidas em Portugal (pelo menos, desde o desmembramento das colónias e da transformação de Portugal num Estado de Direito). Quer sentenças nesse sentido de há quantos anos? Dois, três, quatro? Eu arranjo-lhe. Por favor, que artigo tendencioso, tão cheio de “bocas” e de factos incorrectos. Enfim, que artigo tão mauzinho.

Graças à generosidade de Joana Amaral Dias, temos a pérola jornalística em questão na blogoesfera, aqui.