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Quarta-feira, Abril 26, 2006

da série "Ah! É tão bom ter um blogue - II"

A TVI é uma puta feia, daquelas com a ganância estampada no rosto, que não disfarça nem a quilos de base. Há uns tempos, pretendeu aumentar as audiências dos Morangos com Açucar através da infantilização dos conteúdos. Talvez para disfarçar, pôs no canto superior a bolinha que avisa ser a coisa para maiores de dez anos. No entanto, quase todos os miúdos aí a partir dos seis e não-sujeitos-a-um-regime-caseiro-marcial, espreitam ou vêem aquilo: a singeleza dos diálogos e a trama apalhaçada, comprovam-no. O actor que morreu funcionava como um contraponto dos personagens principais, mais sérios, uma espécie de Tambor no Bambi, de preguiça na Idade do Gelo, de burro no Shrek, de Dragão na Mulan, and so on. São personagens mais pequenos que, à conta dos disparates que fazem, captam a simpatia do público e aligeiram o dramatismo, quando o há.
Ora, parece que a puta já tinha gravado algumas dezenas de episódios quando se deu o acidente. De uma forma pouco menos que desavergonhada, um representante qualquer da dita, talvez um dos seus chulos, veio à televisão dizer que os episódios em que o miúdo falecido entrava seriam todos emitidos porque era o que ele de certeza quereria, com toda a sua alegria de viver. Uma psicóloga veio apoiar a tese, afirmando que até seria bom, como forma de alertar os jovens para o perigo na estrada, bem como para os pais aproveitarem para explicar a morte aos mais novos. Tradução minha: gastámos demasiado dinheiro nisto para agora deitarmos tudo fora, portanto, papem lá os episódios com o miúdo mais a sua alegria de viver.
Já eu, que não sou psicóloga, mas dotada de algum bom-senso de criatura atenta, digo que não pode ser bom, os miúdos verem todos os dias entrar-lhes casa dentro uma pessoa que sabem que morreu de forma tão trágica e que lhes lembra algo tão triste, a fazer palhaçadas para os pôr a rir. Perante tamanha incongruência, e como não sabem como lidar com tal paradoxo, escolhem virar as costas ao programa e inventam outras coisas para fazer; onde antes existia entusiasmo e prazer, nota-se agora um nítido desconforto, por mais explicações que nós, pais, lhes demos. A série perdeu a piada e eles perderam a vontade de a ver.
Se eu acho que deveria ser tabu, a questão da morte do rapaz? Não, mas nunca passar sobre ela como cão por vinha vindimada, como está a fazer a TVI, num desrespeito total para com os seus espectadores mais novos. Que fizessem uma homenagem ao rapaz, que pusessem os colegas a falar dele, talvez um episódio best off. Depois, mandavam-no para o estrangeiro com uma bolsa de estudo, fazia-se um luto rápido e gravavam novos episódios, erradicando-o completamente da trama: uma trama que se quer leve, pois é emitida às 18 horas da tarde, para miúdos e jovens que chegam da escola.
É duro, o esquecimento forçado, a obliteração total do personagem e, por via disso, do actor falecido, enquanto pessoa? Pode ser que seja. Mas é de entretenimento que estamos a falar. E há interrogações demasiado pesadas que não devemos permitir que os nossos filhos carreguem diariamente sobre os ombros quando, supostamente, estão em frente à televisão para se divertirem, num momento que se quer de alienação (e independentemente de juízos de valor sobre a qualidade intrínseca da série e da minha atitude não censora: eles gostam, vêem e pronto, disso já falei aqui).
Ou seja, sob a capa hipócrita da perpetuação da memória do coitado do rapaz, a TVI poupa uns cobres e impõe diariamente aos miúdos uma tristeza com que eles lidam da única maneira que sabem: virando-lhe as costas. Era bem feita, era, que tamanha venalidade e falta de sensibilidade fossem o fim da merda do programa. Eu gostava, confesso. É que não se faz.

Papoila Gi Jane


Amiga blogger, curtes paintball e gostarias de acertar com um esguicho de tinta na cara da gaja da blogoesfera que mais abominas? Participas em lutas na lama para bloggers entusiasmados que fingem que só se interessam por política? O teu namorado obriga-te a flexões frequentes? Apenas a genuflexões? Ou ainda: o teu namorado é de esquerda e tem fantasias frequentes com capitães de Abril a libertaram-no das amarras da ditadura? Gostarias que ninguém reparasse nos erros ortográficos que dás e ainda menos no teu template merdoso? Então, este bikini é para ti. Aqui encontras mais. Vai à luta, companheira (a vitória é difícil mas é nossa, e ainda por cima é barata).
2DJ'S DO C********! LIVE SET

(agora com ar condicionado)

SEXTA, DIA 28, A PARTIR DAS 00.00H, no Naperon, à R.da Barroca

Mais uma extraordinária selecção vintage do Hotel Júpiter, da Praia da Rocha, entre 77 e 78!
Convidado especial: Vítor Espadinha (se aparecer)

Os 2Dj's são Nuno Miguel Guedes e Zé Diogo Quintela (nomes registados)

Terça-feira, Abril 25, 2006

Ga-Gago: o JN continua aqui, felizmente. Ga-Gago: o JN continua aqui, felizmente. Felizmente. Felizmente. Ufa. Ufa. Por momentos, assustei-me. Por momentos, assustei-me. Ah! E também n´Os Dedos. E também n´Os Dedos.
SEMPRE!

Ver e Ler no Pópulo.

as obras conjugais em noventa segundos

Algo se passava, ultimamente não lhe parecia o mesmo. Ele era os ivas conjuntos por entregar e o condomínio por pagar com o administrador a bater-lhes à porta às onze da noite a pedir meças. Saía com o jornal de baixo do braço, o troco certo a baloiçar-lhe nos fundilhos das calças, a dona da papelaria a chamá-lo de longe mas ele nem mesmo assim; até o empregado da cervejaria da esquina se via à míngua da gorjeta habitual e a chave fixa do euromilhões ficava esquecida na gaveta da cabeceira. Chegava da bola num silêncio introspectivo, quer o Benfica ganhasse ou perdesse e não tardou que ela, atenta àquele vegetar distraído, alinhavado com uma tristeza ao mesmo tempo comprometida e entusiasmada, percebesse que o jogo dele era outro. Houve choro e ranger de dentes a ecoarem forte e feio ao longo das rachas do estuque das paredes do tê três, os miúdos fechados no quarto com os aipodes no máximo, a fingirem-se surdos ao esgoelanço raivoso de mulher traída, as malas dele à porta e ala que se faz tarde, amanha-te lá com a brasileira de vinte anos que te bate as punhetas e os tapetes do escritório em ritmo de samba e forró. Até então amparada por machos alfa, primeiro o pai, depois o marido, soçobrou ao pânico quando se viu sem ninguém, emagreceu os vinte quilos que ganhara durante a reclusão conjugal, enfiou-se a ela e aos putos no psicólogo para que lidassem com a perda e, ao fim de um ano de luto, quinhentos euros de extensões louras e um par de mamas novo, insuflado a preço de saldo no Rio de Janeiro, empandeirou-os para o pai, uma carga de trabalhos, que os metesse na ordem, e iniciou-se na via sacra do circuito nocturno das quarentonas divorciadas, onde descobriu o duplo orgasmo e a solidão a dobrar.

Segunda-feira, Abril 24, 2006

Eu também quero!
...falar sobre os comentadores anónimos e o artigo do JPP, que não sou menos que os outros.
Questão prévia.
A fauna dos comentadores nos blogues é um nano-assunto, que interessa a muito poucos portugueses, verdade se diga. Por vezes, esquecemo-nos de que isto dos blogues é uma micro-esfera; o país real não sabe o que são blogues nem quer saber, a maior parte dos que compram jornais nunca sequer leu um blogue. É verdade que, volta e meia, se fala da coisa nos media, mas é um falar infinitésimo, que os nossos blogger-ouvidos ampliam como um aparelho da casa sonotone: a tribo está especialmente atenta a tudo o que diz respeito à tribo, é óbvio. O que, no mar de informação global em que vivemos é pouco, muito pouco. Muitos dos meus amigos não sabem o que é um blogue e usam a net apenas para pesquisas científicas, sacar músicas e o Gato Fedorento, e para espreitarem pornografia, estando-se positivamente nas tintas para esta nouvel literacia nascida nos blogues, fervilhantes de brilhantismo político, artístico, poético, literário, filosófico e humorístico. E olhem que os meus amigos, como os vossos, até são gajos instruídos, apenas acham isto dos blogues uma coisa esquisita, demasiado esquizóide e umbiguista, de contornos alienígenas. Eu compreendo. Quando quero que leiam algo que eu ou outros escrevemos, uso o email, e é assim que lhes chego. Neste contexto, o facto de JPP usar uma página de um jornal nacional com a tiragem do Público, em semana de coisas tão importantes como, por exo., o pogrom, parece-me um enorme desperdício. É claro que tal juízo de valor respeita apenas a JPP e a quem para tanto lhe paga. A ser eu a directora do dito diário, e não gostaria que um dos meus principais e mais conceituados colunistas escrevesse para o país inteiro sobre uma coisa que interessa e respeita a uma mini-minoria, passe o pleonasmo. Mas isso sou eu, que não escrevo em jornal nem mando em nenhum, portanto, who cares?, perguntam-me vocês e com razão.
Feita esta não-tão-pequena-quanto-eu-gostaria-ressalva, passemos ao conteúdo.
Divergindo um bocadinho da minha querida Cat, como ela bem sabe, não me parece que o facto de os comentadores anónimos, que têm como modo de vida o acto de aborrecer e ofender os outros com as suas extensas e antipáticas opiniões sobre tudo, terem blogue, altere alguma coisa, ou seja merecedor de especial referência. Porque a questão não é serem ou não anónimos, ou terem ou não blogues enquanto anónimos: é serem chatos comócaraças e persistentemente desagradáveis. O anonimato faz parte da natureza livre da blogoesfera e é saudável: esta é a minha singela opinião e a de muita gente que já escreveu e bem sobre o assunto, pelo que não adianta bater mais no ceguinho. O problema é outro e reconduz-se sempre ao mesmo: o facto de a maior parte das pessoas estarem aqui criando e/ou expondo e debatendo as ideias que têm sobre o que as rodeia, e cair-lhes em cima, sistematicamente, uma espécie de má-onda kamikaze, filha da falta de ocupação e prima da férrea determinação em chatear o alheio. A maior parte das pessoas normais, quando não gostam do que lêem, ou discordam educadamente ou passam em frente e não lêem mais, não voltam. É em nome desta maneira de estar na vida, logicamente a mais saudável, que me absterei de dizer aqui o que penso, designadamente, de alguns dos comentadores anónimos a que JPP se refere no seu artigo. Apenas direi que gente ressabiada e com demasiado tempo entre mãos, que gosta de chatear quem não conhece de lado nenhum, merece ser paga na mesma moeda, pelo que até é bom que tenham blogue (de preferência com caixas de comentários aberta e não sujeita à sua aprovação, como aquelas onde habitualmente abancam dias a fio).
Concluindo, no fundo, JPP tem razão. Se o referido artigo de jornal fosse apenas um post, seria um excelente post. Assim, e da perspectiva do público em geral, foi só um mau artigo de jornal.

Quarta-feira, Abril 19, 2006

como é óbvio

também vou.


MTV

Atentar na MTV é uma experiência traumatizante. Até agora, tenho-me usado da censura pura e dura para impedir o visionamento caseiro, mas apanho com a dita nos restaurantes, no ginásio e noutros sítios públicos e insuspeitos, não há como lhe escapar. Quando não são pretos de óculos escuros com ar de traficantes de droga, todos de branco e enfeitados a ouro (com especial incidência nos caninos e molares), que fingem que cantam e maltratam brancas e pretas louras com piercings nos arredores das vaginas, cinturas desconjuntadas e rabos gigantescos (que sentam com despudor na lente da câmara de filmar), passam reality shows e concursos. Estas pérolas espelham a vidinha e os anseios da acéfala adolescência dos EUA (não, não é tautologia: a juventude norte-americana parece-me ainda mais acéfala do que as outras juventudes, que já o são um bocadinho pela natureza das coisas). Um dos programas que vi enquanto suava as estopinhas na passadeira, acompanhava os dias que antecediam a festa que assinalaria a entrada de uma insuportável teenager de quinze anos na idade adulta; uma espécie de baile de debutantes, de puesta de largo, um ritual de iniciação de um exibicionismo tão piroso e novo-rico que feriria a sensibilidade do duo Ele & Ela. Foram trinta minutos de Ed TV em que vimos a criatura, com um cérebro mais vazio que a carteira de um idoso português reformado, a foder o juízo à família inteira e aos amigos para que a merda da festa saísse exactamente como queria, o que implicou ter sido ela a escolher o que os outros vestiriam, os penteados, o que dançariam (obrigou-os a todos a aulas de dança) e até o que diriam. Meia horinha bem medida da mais pura chantagem emocional, que culmina por fim na dita festa, em que vemos a cabra a descer umas escadas palacianas num vestido vaporoso que nos remete para a era Dallas, ladeada por repuxos coloridos e ao som de uma marcha triunfal, tipo casamento dela própria com o seu ego. Os amigos e familiares, as cabeças entretanto feitas em água pelos desmandos caprichosos da criatura nos meses que antecederam a coisa, não conseguem disfarçar o alívio e o rancor quando a vêem aparecer no topo das escadas douradas, talvez a desejar que tropece na sandalucha de cetim e parta o pescocinho.
Num outro programa, tipo concurso, um idiota de 18 anos (isto sim, é tautológico) tem de escolher uma de três miúdas de quinze? dezasseis anos?, que estão fechadas numa ramona tipo transporte de presos de alta segurança. Vemos então o rapaz a entrar no quarto de cada uma delas, a revistar-lhes as gavetas e os psichés, a remexer-lhes os souvenirs, os biscuits (as americanas adoram biscuits), a roupa interior (???) - a suja e a lavada! - e a experimentar-lhes o colchão, enquanto vomita uns dichotes que nem chegam a ser ordinários porque ainda não tem idade para saber o que isso é. Entretanto, fechadas na ramona e graças às maravilhas da tecnologia, as miúdas vêem-no e ouvem-no e, por entre gritinhos excitados e esperançosos, aguardam ansiosas a escolha. Para quê, ainda não se percebe bem. Finalmente, depois de muitas bocas foleiras de índole sexual, o criaturo confronta-as cara a cara e opta por uma, cabendo-lhe explicar às excluídas os motivos da não-escolha. Quanto a uma, - pasme-se! -, a razão aventada foi a de que ela guardava debaixo da cama o livro "Sexo para Principantes", o que não lhe pareceu nada bem. É então que percebemos que a felizarda escolhida vai ter a suprema honra de passar uma noite com o rapaz e na última imagem vemo-los na marmelada num jacuzzi (os americanos também adoram jacuzzis). Portanto, não sei se estão a ver: as miúdas são tratadas como meros orifícios a preencher, escolhidos praticamente à sorte por um imberbe acéfalo com as hormonas à solta, sendo que abona nitidamente em desfavor das ditas o facto de lerem livros inócuos que pretendem iniciá-las, de um modo descontraído e adequado à respectiva faixa etária, nos mistérios do sexo.
De facto, uma hora de MTV dá para perceber como é que o país com a indústria porno mais desenvolvida do mundo, cujos lucros equivalem à soma de não sei quantos PIBS de países africanos sub-saharianos, tem estados em que os liceus proíbem nas suas bibliotecas os livros de Mark Twain.

Terça-feira, Abril 18, 2006

Demasiado ocupada com as minhas coisinhas, é o que é. Tenho lido pouco, visto ainda menos e falta-me em tema o que me sobra em desinteresse. Constou-se-me que a Igreja acrescentou uns quantos pecados à sua já extensa lista e estranho o sururu que entretanto se gerou: é por estas e por outras que eu, do alto do meu livre arbítrio, não sou católica, portanto, não se me aplicam, os pecados do surf na net e do zapping. Cada um com a fé que merece e cada religião com os dogmas, as leis e os pecados que muito bem lhe apetece; quem não gosta, come menos, muda de deus ou, simplesmente, de paróquia. Os desmandos da ala geriátrica da nossa Justiça também não são novidade, desde a coutada do macho latino que nada que venha dali me espanta e, por favor, não me ponham a ler acordãos na íntegra, mais do que aqueles a que infelizmente me obrigo por dever de ofício. Em contrapartida, desafio qualquer um para uma partidinha de beach ball, é que não há pai para mim, vou avisando. Ah! E estou precisada de alguém que vá comigo ao concerto da Ana Carolina, no dia 29 deste mês, no novo Casino de Lisboa. É conhecida e notória a minha preferência por sapatonas da MPB, a qual, infelizmente, não é partilhada por ninguém das minhas relações próximas. E assim chego a esta triste situação: sem opinião formada sobre coisas importantes sobre as quais é suposto opinar e a mendigar a companhia de estranhos. Valha-me nosso senhor blogue.

Segunda-feira, Abril 17, 2006

o Dinoos morangos

O Francisco Adam, o Dino dos Morangos com Açucar, morreu ontem de madrugada num acidente de automóvel. Eu, que sou daquelas mães que vêem quase sempre a série em questão, conhecia bem o miúdo, um puto bonito e talentoso a dar-se ares de Paul Newman, que nos entrava todos os dias casa dentro mais as suas confusões com as babes. Como actor, era um dos melhores e o seu personagem engatatão bem-disposto era absolutamente central na trama. Os meus filhos e os amigos estão confusos, acham estranho continuar a vê-lo na televisão nos episódios já gravados e depois, nos intervalos, a TVI espetar-lhes com o velório em cima. A minha filha mais velha passou o dia de ontem a enviar mensagens de solidariedade para com o Dino, numa corrente que se formou de forma que desconfio pouco espontânea, atenta a venalidade das operadoras telefónicas, sempre à coca de situações onde possam facturar com o envio em série de SMS. Hoje, ela não está a ver os morangos e já pespegou meia dúzia de posters do Dino no quarto, onde se encontra, a escrever um texto que me pediu que eu publicasse aqui no blogue, que me diz ser lido por muita gente. Eu disse que sim. Com os mais pequenos é mais complicado: estão em frente à televisão de semblante triste, especialmente atentos às cenas em que aparece o Dino e, ao contrário do que é habitual, não há risotas nem comentários a latere, nenhum me pede qualquer explicação ou esclarecimento, nem me chama a atenção para um pormenor mais engraçado ou picante. E eu só dou por mim a pensar, egoisticamente, que daqui a uns anos também eles vão sair à noite e se calhar andar a abrir às quatro da manhã, a acharem-se os maiores, invencíveis e imortais, como todos os outros, como todos nós já nos achámos. Este post acaba de chofre e sem qualquer tipo de moral adjacente ou proposta de solução. É assim, é apenas assim, a vida: às vezes, uma bela merda; outras, uma questão de sorte.

(actual.)
já lá estou!

21 de Abril às 18h30 - Mesa Redonda: Weblogs: o autor/editor

Local: Biblioteca Municipal Central Palácio Galveias - Entrada livre

Com a participação de:
Francisco José Viegas, do blogue A Origem das Espécies
Catarina Campos, do blogue 100 Nada
João Villalobos, do blogue Prazeres Minúsculos
Rui Branco, do blogue Adufe
Ana Cláudia Vicente, do blogue Quatro Caminhos e co-autora do Amigo do Povo
Moderadora: Isabel Goulão, do blogue Miss Pearls

Temas em discussão:
- A dicotomia autor/editor e a questão da validação dos conteúdos;
- Novos caminhos da informação e de debate;
- O uso integrado das tecnologias ao serviço da criatividade;
- O uso de blogues na educação e no desenvolvimento do gosto pela escrita.

almoço

Um almoço, extraviado por demorasentretantas, que hoje em dia qualquer encontro entre dois seres humanos é quase um acerto ao acaso na mouche da data aprazada. Por fim, qualquer coisa que se cumpriu (talvez o alinhamento propício dos planetas, porque não?) e lá se encontraram em quatro meias horas que lhes pareceram menos que duas, partidas ao meio. Apesar dos meses em que nem se haviam lembrado de que o outro existia (ou haviam-se lembrado assim como quem rapa as migalhas do fundo do pacote das bolachas, com uma gulodice displiscente), uma vez frente a frente e com um bom tinto de permeio, cuidaram de tudo contabilizar, informaticamentalmente, registando pesos, medidas e formas, num balancete favorável às exigências dos sentidos. Iam comendo e apreendendo as palavras, os tiques e os gestos, até então omissos do vocabulário afectivo do outro, digerindo-os com gosto. Quando, por fim, se esgotou o tempo que haviam tomado emprestado, deram-se a face e apressaram-se aos seus universos paralelos, bem sabendo da improbabilidade de futuras intersecções - percepção que, não obstante, lhes transmitiu o conforto morno de um velho sofá de sala. A indiferença pode ser uma forma de aconchego onde nos limitamos a deixar os nossos contornos para que neles se deite quem venha a seguir.

Google, busca na web por "Carlos Drummond de Andrade" + "Recomeçar":

Não importa onde você parou, em que momento da vida você cansou, o que importa é que sempre é possível e necessário "Recomeçar".


Google, busca por imagens, "Recomeçar":


(republish)

da série "Muitas e Boas Razões Para Não Ter Um Blogue", parte um :

Diálogo entre mãe e filha, sendo que esta acabara de correr o google à procura da imagem de uma concha do mar para efeitos de um trabalho de Ciências da Natureza.
- Mãe, andei à procura de imagens de conchas na net. Escrevi conchas, depois vieiras e, às tantas, saiu-me uma fotografia de um homem nu com uma concha a tapar-lhe assim a...a parte da frente (risinho idiota).
- Ó filha, mas o que é que isso pode ter a ver com conchas ou vieiras???
- Pois...é que na legenda dizia qualquer coisa como da rititi para a vieira do mar, e eu...bem, mãe, eu acho que aquilo devia ser para ti, daquela tua amiga que vive em Madrid, a Rita, não é? Mas eu juro que não abri a fotografia, mãe! Juro.
- Ai filha, não abras, não abras! Se te aparecer mais qualquer coisa relacionada com vieira do mar: textos, imagens ou assim - especialmente se vindos da rititi! -, deixa-os estar quietinhos, ouviste? Quando quiseres imagens de conchinhas, querida, pede à mãe que a mãe arranja, ok?
- Ok, mãe, mas olha que tu apareces que te fartas no google, é bué fixe, tenho uma mãe famosa na net! Acho que não vou aguentar, tenho de contar às minhas amigas...
-Tu nem te atrevas, olha que ficas sem mesada! E não te carrego o telemóvel!
- Ora, mãe... francamente (abanar de cabeça e riso meio torcido, misto de orgulho e de desprezo. virar de costas).
(...)


(republish)
eu hoje acordei assim©:

Ah, porra! Até que enfim encontrei a chave!
Porque às vezes não tenho paciência para aquelas coisas dos gregos, enquanto ela apanha secas de morte a ler as minhas estórias lamechas;porque aqueles rappers de alcunhas impronunciáveis não se aguentam e mais um bocadinho e deito tango pelas orelhas; porque ela quase vomita quando me ataca a nostalgia dos oitentas; porque aquele amarelo já deu o que tinha a dar e a gente vai tratar disso imediatamente e ela, quando aqui entra, tem que gramar com o color clash e os templates a dar para o kitsch, para não dizer para o foleiro; porque eu mordo e roo as canelas de quem presumaque a conhece e vomite barbaridades sobre ela; sim, ela - que não me deixa estar triste e telefona e chateia e puxa daqui e dali e chora comigo e rimos que nem umas malucas (nem ninguém imagina quanto e como e com que desmesura nos divertimos), porque hoje faz três anos o melhor blogue português que, por acaso, é dela, e porque os amigos fazem tudo uns pelos outros, inclusive, reabrem blogues trancados a sete chaves.
Parabéns, minha querida. Para ti, uma das minhas salsas favoritas, Indestructible, do Ray Barreto, um grande senhor destas coisas.

Metabloggers do it better, indeed!