Sexta-feira, Junho 30, 2006
Terça-feira, Junho 27, 2006

Não há pachorra para a cambada de pseudo-intectualóides que se mostram incomodados com as manifestações de alegria e rejúbilo a propósito do mundial de futebol. Não gostam?, não vejam os jogos, tapem os ouvidos, coloquem vendas nos olhos, fiquem em casa, mudem de canal, vão dormir. Respeito que me farto quem não gosta, aliás, compreendo perfeitamente que não se goste: provavelmente, se não tivesse uma catrefada de putos entusiasmados cá em casa, não ligaria peva à bola e iria ao cinema ou faria outra coisa qualquer. Acho legítimo que se goste muito, que se goste menos, que não se goste, que se deteste futebol. Eu própria não entendo a mística inerente à coisa, acho-a uma patetice incompreensível e custa-me a engolir as tolices sentimentais que se despejam durante um relato radiofónico, por exemplo (metade do jogo Portugal-Holanda ouvi-o na rádio: foi uma autêntica experiência alienígena, digo-vos...). Agora, é de uma bacoquice mesquinha reduzir a alegria popular a uma manifestação terceiro-mundista de um conjunto de cro-magnons que não sabem ler um livro, que não se cultivam e que são uns grunhos, que nojo. Parece que há uma coisa muito simplezinha, básica mesmo, que aqueles e aquelas não entendem: é que muitas pessoas, independentemente da classe social, da idade, do estatuto económico e do grau de literacia, vibram e divertem-se à parva com o fartar vilanagem de bandeiras, bandeirinhas, portugal olé olé, buzinas, abraços sentidos, nervos à flor da pele, cantorias desafinadas, bebedeiras, jantaradas, enfim, de VIDA. Daqui a uns dias, quem sabe já no próximo sábado, tudo acabou e voltamos à modorra habitual, e depois?, não deixou de ser bom enquanto durou. Aliás, tudo o que sirva para aligeirar os fardos pesados que são as existências mais ou menos problemáticas ou mais ou menos cultivadas de cada um de nós, parece-me bom e é sempre bem-vindo. Não querem, não comam, mas não chateiem quem resolve alambazar-se, ó manada ruminante de ressabiados que não se diverte porque não sabe como e por isso não quer que os outros o façam. Sabem, um segredinho: a diferença entre a gente decente e a outra, é esta: é a diferença entre viver e deixar viver (gostando-se ou não) e não querer deixar viver (invariavelmente, não se gostando).
Quarta-feira, Junho 21, 2006
Terça-feira, Junho 20, 2006

Ahhhh...Benza-nos Deus!
Quarta-feira, Junho 14, 2006

(pronto, um relancezinho do homem da relação, vá... mas só para aferirem das incríveis semelhanças com o retrato supra:)

Terça-feira, Junho 13, 2006
Filha faz treze anos e pede à mãe para organizar uma pool party com os amigos (só os amigos, mãe! não quero cá família...). Chega o dia e a coisa está mais ou menos ela por ela: meia dúzia de rapazes espichados e borbulhentos, de gaforinas pseudo-rebeldes, vestidos à pinto calçudo, e meia dúzia de miúdas devidamente enformadas, de umbigos à mostra, costas à mostra (enfim, tudo muito à mostra, menos o couro cabeludo). Preocupação da mãe: contar cabeças - que ela bem sabe conterem nesta altura mais ideias parvas (como seja saltar do cimo da mesa de plástico para a piscina na parte mais baixa) do que outra coisa qualquer. A páginas tantas, o exterior esvazia-se para o quarto da filha, uma divisão de 3 metros por 3 com a janela fechada até cima numa escuridão completa, com tudo ao molho e fé em deus, ou seja, com tudo deitado em cima e aos pés da cama do anjinho e princesa de sua mãe. Afastadas as imagens súbitas de Sodoma e Gomorra (e de outros filmes de Fellini/Godard) que a assaltam, a mãe lá consegue penetrar no ambiente húmido de respiração e corpos encafuados para perceber que - alívio! - apesar do ambiente pesado, na televisão o Valdemort tenta matar o Harry Potter, o que lhe parece relativamente inofensivo. Uma hora depois, metade de sexo indiferenciado encontra-se novamente na piscina. Então, filha, os outros?, pergunta a mãe. Ah! Ficaram no quarto a ver o resto do filme. Quer dizer, alguns... porque os outros estão no marmelanço. A mãe congela o sorrisinho e jura não mais perguntar até ao fim da vida sobre o paradeiro de ninguém e, aquando no corredor, bate com força com os pés no soalho e anuncia a sua chegada com pompa e circunstância, gastando os nós dos dedos na porta do quarto. Afinal, há coisas que uma mãe não quer ver, nem saber, pelo menos para já.
Ele era um bocadinho de generation gap com tempero de espaço contentor aqui para a mesa do canto, fáxavor, que a minha filha acha que somos amigas e eu não sei se estou preparada.

Toda a razão, querida. E mais: Brokeback Mountain é um daqueles exemplos óbvios que nos permite concluir que a beleza é, de facto, uma poderosa arma de arremesso apontada à nossa sensibilidade e que não há nada como o belo (já lá dizia Platão), para nos fazer baixar as defesas e nos deixar a todos babados e a chorar por mais, seja esse mais de que natureza for. Aposto que, com este filme, Ang Lee fez mais pelo fim dos preconceitos contra os homossexuais do que duzentos desfiles histérico-gays pelas baixas históricas das principais capitais mundiais. Porque, quando o estamos a ver, nem nos lembramos de que ali estão dois homens, mas apenas dois seres humanos que se amam, escondidos de uma sociedade que não os aceita porque. Podiam ser dois indianos de castas diferentes, um judeu e uma árabe ou uma outra dupla qualquer, artificialmente fraccionada pela história e pela cultura dominantes, que os nossos dó e compreensão não podia ser maiores. Não há preconceito que resista ao sentimento de identificação gerado pela sensação pungente da pena, quando esta nos é devidamente embutida no coração. Tem tudo a ver com a forma como se diz e como se nos é apresentada, a estória, de modo a que não resvale, por um lado, para o exibicionismo panfletário, nem, por outro, para a tentação da tábua rasa. É um difícil equilíbrio, este, plenamente conseguido in casu: a coisa está tão bem feita e tão na medida certa que, não obstante eu ser mulher, heterossexual e saber de antemão que os actores são os dois heterossexuais, ter sentido na pele a carga erótica de algumas cenas supostamente mais arrojadas que, não só não me chocaram de todo como me deram algum gozo, quase como se nelas estivesse a participar (para além de ter chorado do princípio ao fim afundada no sofá, ao mesmo tempo que dava graças por me ter atempadamente poupado a figuras tristes numa sala de cinema em público). Heat Ledger e Anne Hathaway são comoventes até ao limite do desconcertante e Jake Gyllenhaal aprimora aqui o seu habitual registo de desnorte contido. Tudo neste filme é belíssimo, até (e principalmente) o desespero dos amantes e a esperança que se pressente para além dele. O resto, é paisagem. Igualmente bela, por sinal.
Domingo, Junho 11, 2006
Sexta-feira, Junho 09, 2006
Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores 2005.

Muitos, muitos parabéns, Francisco!
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"Você é a Selecção do Togo: Você nem sabe bem por onde anda, a maior parte do tempo só quer é aproveitar o bom da vida, sem se preocupar demasiado. Não é ambicioso, por isso, para si, tudo o que vier á rede é peixe, valoriza o bom que lhe acontece e se por acaso as coisas lhe correm mal você encolhe os ombros e diz: Siga! Olhado com simpatia e curiosidade por quem o rodeia, você não tem mau perder e para si ganhar é quase um milagre."
Eu também não aldrabei, juro! (o que é grave...).
Via Selecções do Brasil e de Portugal.
É a vida, olha, que se há-de fazer?
...
Quinta-feira, Junho 08, 2006
Portanto, dizia eu, da nova série, OS CROMOS DA BOLA:




