Segunda-feira, Junho 25, 2007
Sexta-feira, Junho 15, 2007
A função essencialmente decorativa das monarquias de hoje (mais constituição, menos constituição), não se compadece com a vulgaridade dos traços nem com a singeleza infantil dos raciocínios. Ouço a Senhora Dona Isabel (que assim exige ser tratada pelos media) e o real marido, ambos no habitual débito de banalidades, e dou graças pelo regime parlamentar: antes trezentos sabujos venais numa assembleia, eleitos por mim e pelos meus (e deles) pares, do que aquelas duas retardadas manifestações do direito divino. Além disso, é impressão minha, ou aquele tom forçado que exibem perante a plebe, de severa ponderação, como quem tem o peso do mundo sobre os ombros, faz ou não parecer que locomovem a herança monárquica a valiums? Tão suporiferamente desinteressantes, que dá vontade de ir a correr abraçar autarcas corruptos e deputados das berças, incluindo os das comissões.
Quinta-feira, Junho 14, 2007
Na estreia do novo musical do La Féria, meia dúzia de zombies com um R (de "Rivoli"?) na mão, insurgem-se contra Rui Rio (what´s new?) e aquilo a que o seu lúgubre porta-voz, no meio de um arrazoado inextricável, define como a "lógica de gestão" do teatro enquanto "espaço público". Perguntado porque é que está contra o espectáculo, não sabe bem porquê. Aliás (concede, magnânimo), nada tem contra o "teatro comercial", que admite ser "legítimo". Silogisticamente falando, parece que a tal lógica de gestão se opõe ao teatro comercial, ou seja, ao teatro que atrai público pagante. Conclusão, os espaços culturais públicos devem ser usados para manifestações culturais financiadas pelo Estado, para um público que não as terá que pagar, e para produtores que não terão que as custear. Presumo, no entanto, que alguém aos artistas terá que pagar. Mas, enfim, até aqui, tudo mais ou menos bem. Presumo igualmente que o infeliz porta-voz do "R" seja um dos artistas que se sente preterido pela lógica da gestão comercial. Pena é que tenha um ar tão tristemente empedernido que pareça não conseguir divertir ninguém nem em se mascarando de cabeçudo e que esteja, no fundo, a pedinchar indirectamente para que o estado lhe dê emprego (ou, pelo menos, que lhe pague qualquer coisinha). Triste gentinha esta, que ainda não percebeu que cultura é essencialmente diversão e que também dá trabalho a quem a faz.
Quarta-feira, Junho 13, 2007
Encontrado aqui.
Terça-feira, Junho 12, 2007
"Todos os amigos de alguém usufruem do direito ao avanço insensato de uma guarda pretoriana, que são os amigos que têm. A todos os amigos de alguém é devido o gozo mutual da fidelidade canina, para o bem e para o mal, para o certo ou o errado. Virados uns para os outros, na absoluta concentração da linguagem simbólica e simbiótica que os une, os amigos (para o serem deveras) têm que estar em pé de igualdade: a mesma fragilidade desnudada e o orgulho em idêntico plano de remoção. Amigos não existem, nem por baixo, nem por cima (caso em que falamos de outra coisa). Dizer-se que se gosta muito dos amigos, como um miúdo que descobriu a pólvora numa redacção infantil, hesitante por isso nos pontos finais, não passa de redundância desconfiável. Embora o amor pelos amigos possa ser redondo, porque por vezes acaba onde um dia começou, depois de cumprida a circunvalação de todos os segredos. A amizade deposita-se nos outros como na relva: há que andar com cuidado para não a pisar e contornar-lhe os melindres, como se de vidros partidos."
* Escrito na SOCA
O que a lei diz, propriamente, não me interessa. Até porque tenho muitas dúvidas, quanto à sua aplicação aqui, sem mais. Mas sei o que me dizem a decência, o bom-senso. E essas, mandam que, se gostamos do que o vizinho do lado escreveu, e quisermos mostrá-lo aos outros, pois que o linquemos devidamente, ou seja, que lhe mostremos um respeito proporcional à nossa suposta admiração. Por isso, por princípio, um post não deve ser transcrito na totalidade noutro blogue, porque não foi para este que foi escrito. Porque razão se há de alimentar um blogue às custas do jeito, da graça, do talento ou, pura e simplesmente, do tempo, do vizinho? Que se transcreva uma frase, um parágrafo, uma parte e que se diga "o resto está aqui (linque), portanto, é aqui que o devem ir ler, o blogue x merece-o". Ofereçamos-lhe visitas. O talento alheio, mesmo que apenas o imaginado por nós, não deve ser tomado de empréstimo sem pré-aviso nem licença. Aquilo que muitos entendem como um acto de generosidade, uma manifestação de admiração (a transcrição total do texto de outrem, mesmo que com o linque respectivo), não passa, muitas vezes, de um esbulho cómodo, preguiçado. É claro que não me refiro a posts curtos, a frases supostamente lapidares ou a haikus, que, a serem truncados, perderiam sentido. Mas, tendencialmente, entendo que a cada blogue os seus posts, e os seus linques para outros posts. Em qualquer dos casos, impõe-se clareza: se o texto não é nosso, pois que não o escrevamos com a letra com que habitualmente escrevemos os nossos, para que não se suscitem confusões; umas aspas ou um itálico, seguidos da indicação visível e explícita (não em minúsculas, como nota de rodapé, como fazem alguns espertalhaços…) do endereço onde foi encontrado. E, de preferência, nada de inventar novos títulos para o post em questão, nem de lhes pendurar palavras, frases novas, outros sentidos (o que se vê muito na prosa poética, por exemplo). Vamos lá a respeitar a integridade intelectual e estética de quem o escreveu. Ou, pura e simplesmente, o seu espaço contentor. Não me parece difícil. Regras? Sim, mas as básicas e de boa vizinhança, apenas.
Segunda-feira, Junho 04, 2007
Este blogue inicia hoje uma série inteiramente dedicada a esse misto de pedagogo e bicho papão que dá pelo nome de Eduardo de Sá.
No "Livro de Reclamações" de hoje, no Jornal da SIC, o psicólogo fala em "mães batoteiras" e lança o anátema da chucha, muito má se usada até tarde, porque "prejudica a fala". Ora, os meus filhos, chucho-dependentes até aos quatro anos e, desde sempre, umas eloquentes matracas, devem ser as três excepções que confirmam esta regra. Passamos, então, ao tema seguinte: muitas crianças substituem a chucha por cobertores, fraldas e bonecos de peluche, estes sendo, por sua vez, "substituições da mãe", que também é "fofinha e redondinha". É nesta altura que começo a ponderar a apresentação de uma queixa-crime. Entretanto, uma das crianças, cinco tímidos aninhos, apenas, ouve a jornalista falar em "peluche" e, qual reflexo pavloviano, associa de imediato a palavra a "comichão" e "borbulhas". Aquela, contra todas as probabilidades, entende que o miúdo gosta de peluches porque estes fazem bem às borbulhas, e o psicólogo corrobora: os peluches lembram tanto a mãe "que até curam a comichão"... Pasmo, com tamanha falta de jeito para o exercício da função: além de assustador, não percebe. É que (corrijam-me se estou errada) a criança, o que terá querido dizer, é que os peluches lhe provocavam borbulhas e comichão, pelo que nem sempre poderia dormir com eles, ou coisa parecida. Mas, que sei eu, o psicólogo é ele. Uma coisa é certa - uns, coçam-se com ursinhos alergénicos; outros, com o Eduardo de Sá fofinho e redondinho, como é o meu caso: fiquei cá com uma urticária, que vou ali tomar um Zyrtec e já volto.

