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Segunda-feira, Julho 30, 2007

Paul Potts singing Nessum Dorma

mais choradeira.
atravesso a praia de Vilamoura e aterro,
incauta, no novo conceito de “férias com glamour” para os que “querem aparecer”: o “Nikki Beach” de um lado e o “Sasha” do outro, sendo que, em ambos os casos, apenas um adjectivo me ocorre: pindérico. É de uma pinderiquice pegada, o novo sonho de um dia de Verão dos casalinhos portugueses que querem ser como os dos revistas; elas, como as Merches, as Pituxas, as Cinhas, as “Moranguitas”, as Sorayas, as Ritas e as Dianas; e eles, como os fefês e os jotapecês, que exibem duvidosas masculinidades bronzeadas. Ali estão, meia dúzia de deslumbrados de shot na mão, alcandorados nas chaise longs e nas camas palafitadas, envoltos em mosquiteiros, convenientemente resguardados do “incómodo” que é a areia (como dizia uma entrevistada), à espera da “massagem”, enquanto ouvem (eles, e a praia toda) trance-dance-house-ou-lá-o-que-é-aquilo (tum-tum-tum-tum), numa doce ilusão bacoca de “luxo”, “glamour” e “modernidade”. É certo que cada um se diverte como quer, e se alguns se divertem a largar dezenas de euros para os bolsos de uns espertalhões que inventaram o “conceito” de “praia privada” e lhes impingem uma pobre imitação da polinésia francesa ao lado do pontão de Quarteira, então, que o façam, e todos ficam felizes. O pior é que o exibicionismo que, necessariamente, acompanha esta suposta “exclusividade paga” implica a privatização das praias e o seu “barramento” à plebe, que somos nós que, armados de pás, baldes, colchões, e garrafas de água fresca, queremos apenas espojar-nos na areia e nas águas caldas algarvias, como pobres não privilegiados que somos. Estavam quarenta graus. E uma corda proibitiva seguia ao longo da praia em frente ao Tivoli Marinotel. Tivemos que andar e andar e andar, até termos acesso ao areal e ao oceano. E, mesmo assim, relegados para a beira-mar, proscritos, que acima da linha da maré só os “ricos”, os “bem-nascidos”, os privilegiados, - ou seja, os pacóvios. Vem-me à mente uma imagem dessa manhã: o espertalhaço do “Gigi”, o do famoso peixe-fresco-trazido-directamente-à-praia-pelos-pescadores, o do Ancão, a abastecer-se na lota de Quarteira. Ao contrário do que dizia um dos “promotores do projecto em Portugal”, na televisão, aquela não é gente da classe média-alta (esses, a essa hora, andavam nos iates), mas sim da classe média-a-cair-para-o-baixo, que não se importa de gastar o que tem para viver a breve ilusão de que também tem vida de “revista”, de “rico”, e que, por isso, também merece ser servida por criados de bandeja e massajada por meninas de umbigos bronzeados, à sombra de repuxos de água fresca, almofadas e mosquiteiros brancos. Gente que não entende que o verdadeiro “luxo” não se consegue com alguns voiles a tapar um pontão, nem com não sei quantos decibéis a abafar o arrulho do mar e meia dúzia de algarvios bronzeados e subservientes. É que, em não se podendo pagar a verdadeira polinésia francesa, o verdadeiro “luxo” está ali mesmo ao lado, numa sardinhada acompanhada de batatas com pele e regada a imperiais, com vista para uma das praias escondidas da Ria Formosa, ou mesmo numa qualquer praia solitária e ventosa da nossa costa mais a norte e ainda por descobrir. Isso é que é luxo e “exclusividade”. E é grátis, ainda por cima (porque nem tudo o que é bom tem de ser pago a preço de ouro).

Sábado, Julho 28, 2007

Que pena tenho destes meninos urbanos, franzinos, euzebiozinhos, de ossos quebradiços e franjas que escondem a pálida tez, que espirram e tossem o ano inteiro e se encolhem, tremeliques, ao vislumbre longínquo de um cão. Que nunca provaram a textura granulosa da lama, a água da chuva ou a ração do gato, nem esfolaram os joelhos, caíram de skate ou engoliram pirulitos. Meninos com pais imaculados de costas intactas, que nunca rebolaram nas dunas, lhes empurraram a bicicleta, encheram o pneu, endireitaram o guiador. Meninos que não distinguem a aranha da melga, o musaranho da ratazana, a coruja do mocho, a rã do sapo, a osga da lagartixa, o pato do ganso, e que pensam que os ovos vêm de fábrica. Que esfregam muito as mãos quando as lavam e que tomam banho duas vezes por dia. Meninos a quem falta sol que os tisne, mar que lhes bata, rua que lhes assista, terra que os ampare, joelhos esfolados, bermas de passeio, e aquele bocadinho de sarro temporariamente consentido, que os deixa mais perto da felicidade.

Quarta-feira, Julho 25, 2007

O matraquilho tonto conhecido por “líder da oposição”, quer o “Caso Charrua” na Assembleia e acusa a Directora da Região de Educação do Norte de ter usado “métodos pidescos”, sendo que deve ser esta a “dar o exemplo”. A falta de profissionalismo e de rigor da maior parte dos políticos, como demonstra Marques Mendes, é confrangedora. Se a Ministra da Educação, superiora hierárquica da desfavorecida criatura que suspendeu o professor, veio arquivar o processo, considerando que este nada fez de mal, então, das duas, uma: ou a criatura estava distraída, ou agiu com excesso de zelo ou abuso de poder, violando assim os seus deveres (de acordo com a legislação do trabalho ou, mais especificamente, da função pública). Em qualquer dos casos, é situação para ser apreciada em processo disciplinar próprio, a fim de se apurar se aquela excedeu ou não os poderes maneirinhos que lhe couberam em sorte. Portanto, a questão é prosaica, e nada romântica (e, muito menos, moral): não se trata de apurar se os métodos foram ou não “pidescos”, mas, sim, se foram ou não “legais”, em termos administrativos (e, quiçá, penais). Está certo que os políticos gostam de usar uma linguagem simplória e demagógica que caia no goto do povão, mas o amadorismo bacoco e a ausência de qualquer rigor técnico naquilo que fazem e dizem, isso sim, devia ser sancionado. Se não nas urnas (pois o povo, ao contrário do que dizem, raras vezes é sábio), pelo menos, administrativamente (por exemplo, a cada declaração pública que se assemelhasse a um bitaite de café, deveriam ser obrigados a ouvir um CD inteirinho do Michael Bolton ou do João Pedro Pais) .

Terça-feira, Julho 24, 2007

Family Guy vs christianity

Quinta-feira, Julho 19, 2007

o que será (1976)

De vez em quando, preciso de voltar a Chico. Como quem volta a casa.

Quarta-feira, Julho 18, 2007

desculpem lá a insistência

Segunda-feira, Julho 16, 2007

o eduardo sá é uma borbulha (2)

Diz que as crianças mentem porque têm medo dos pais, dos pais com os olhos muito abertos (medo, tenho eu: dele). Diz que “mentir é uma maneira de poupar o mau génio dos pais”. Existe uma “escala de mentiras”?, pergunta a jornalista. Quais as mais “preocupantes”? O guru diz que, preocupante, preocupante, é a criança que “nunca mente” - tanto como a que mente compulsivamente. Diz que mentir é “guardar um segredo”, que “mentir é bom”, porque as crianças têm “segredos”, que mentir é “guardar segredos”. Mais uma vez, arregalo-me perante o ecrã. Nunca morre, esta esperança de poder tornar-me melhor mãe - valham-me os ensinamentos de Santa Melíflua Borbulha.

corrente literária

Não gosto muito de correntes literárias em blogues porque são, geralmente, uma oportunidade para o mero exibicionismo intelectual. No entanto, verdade se diga que, pior do que mostrar ad nauseum que se leu os “clássicos” (gregos e russos), Proust, Joyce et all, é os que criticam os primeiros mas que, pelo caminho, vão dizendo que, afinal, também leram, só que não andam para aí a dizê-lo à boca cheia – só à boca pequena, ou seja, em posts pequeninos, como quem não quer a coisa. Uma coisa é certa: um livro, materialmente falando, está ao alcance de toda a gente; lê-lo, entendê-lo e apreciá-lo verdadeiramente, só estará ao alcance de alguns. E eu, lamento, mas ainda não consegui passar dos primeiros capítulos de “Do Lado de Swann”, não percebi grande coisa do “Ulisses” (eu e o onírico não nos damos lá muito bem) e não, não li os “clássicos” – nem os gregos, nem os russos (a coisa mais russa que li - e nem isso, eu sei... - foi os livros do Leon Uris, mas parece que estava na moda, há alguns anos atrás, entretermo-nos com as sevícias infligidas pelos comunistas na Sibéria, assim como uma sub-espécie de “literatura juvenil”). Não tenho a menor dúvida de que serei eu que estou a perder, notem. Não sei se foi por ter tido três filhos mais ou menos “cedo” (já não me lembro de como pensava a.d. - antes deles), mas não tenho paciência para livros compridos, essencialmente descritivos e que me obriguem a grandes esforços de abstracção para seguir o fio à meada. Às tantas, já estou a pensar no que vou fazer para o jantar e se têm todos as vacinas em dia. Se calhar, apenas não sou inteligente o suficiente (é uma hipótese a considerar). Por isso, querida Isabel, não sou eu a pessoa ideal para dar continuidade a uma corrente “literária”. Se bem que, depois de a minha querida Cat ter dado a entender que as correntes que aqui chegam, ao Controversa, por norma, param e morrem, jurei para mim mesma que tal não voltaria a acontecer, nem que a próxima que me chegue, seja sobre as minhas cinco obras favoritas do neo-realismo-axiomático-do-grande-cocó-pós-moderno. Bom, mas então, vamos lá. Actualmente, entretenho-me (estou quase a acabar) com “A História de Lisey”, mais um livrinho assustador e comovente desse génio da literatura que dá pelo nome de Steven King, e que fala da redenção pelo amor, neste caso, o amor conjugal, enquanto forma de dor - contada, dilacerada e partilhada. Excelente. E, porque parece que a temática da conjugalidade é, neste momento, recorrente em mim (são fases), o penúltimo foi “ Na Praia de Chesil”, publicado pela Gradiva, um contozinho dessoutro génio, Ian McEwan, sobre um casamento que – ao contrário do anterior - não passa da noite de núpcias, porque afogado à partida em silêncios demasiados, em muitas histórias por contar. Gostei, mas achei insuportavelmente triste. O de King também é triste, mas é uma outra espécie de tristeza: uma tristeza redentora, salvífica, aterrorizadora e necessária, porque sustentada num amor total, cheio de esperança. Lembro-me de que tentei (sinceramente, tentei) qualquer coisa do Lobo Antunes mas (deus me perdoe que) não aguento aquela escrita errática por mais de um capítulo seguido. Ele é muito bom nalgumas crónicas, aquela coisa da loucura, da reminiscência da dor - mas tudo em doses pequenas, por favor. Sempre recuando, e quando ainda convalescia do acidente, li “O Diabo Veste Prada” (a autora, não me lembro quem é), maternidade oblige (oferta da filha), que serviu para me distrair das costelas partidas, vá lá (note-se que não vi o filme). Li, também, “Um Gladiador Só Morre Uma Vez”, do Steven Saylor, de uma série de policiais muito bons passados na Roma Antiga (uma série designada “Roma Sub-Rosa”), com um herói-detective chamado “Gordiano, o Descobridor”. Muito giro, como sempre. Aliás, policiais, papo-os sempre que posso, desde os clássicos (sim, estes “clássicos”, sim) aos que vão aparecendo. Tudo isto, entremeado com muitas revistas “Caras”, “Holas”, a secção “Casas & Espaços” do Expresso, a secção de domingo do Correio da Manhã, Almanaques da Mônica, alguns 24 Horas e “O Livro do Desassossego” (edição da Assírio & Alvim) que nunca me abandona, e ao qual volto e volto e volto, sempre. E pronto, agora estou demasiado cansada para passar isto a outros. Amanhã, penso nisso (olha, afinal, parece que a Cat tinha razão).

Domingo, Julho 15, 2007

eleições (7)

A abstenção? Não me admira. Não esquecer que Lisboa é uma cidade que foi governada por um desastroso Pedro Santana Lopes e, depois, por um Carmona Rodrigues que a tornou ingovernável e obrigou o líder do seu partido a dar um tiro no próprio pé, retirando-lhe a confiança política e precipitando eleições que, à partida, sabia que nunca poderia vencer. Já há alguns anos que nada de substancial muda na vida comunitária dos lisboetas, que continuam a perder anos de vida no trânsito, a fugir com os filhos para os campos limítrofes, a contornar os cocós dos cães e os focinhos dos carros que investem pelos passeios dentro e a evitar os jardins decrépitos. Convivem diariamente com a corrupção, com as estruturas emperradas, a falta de cafés e de esplanadas; e continuam a enfiar-se nos centros comerciais e em casa depois do trabalho, porque a cidade não os acolhe, não incita ao convívio, à revelação. Não sabem, ao certo, o que tem corrido mal na gestão da Câmara; sabem, apenas, que tem corrido mal, porque eles continuam a sofrer as mesmas dificuldades de sempre e parece que não há dinheiro para mudar o estado das coisas. Nem sequer é uma questão de descrédito: enquanto não começarem a sentir, na pele, os resultados práticos de uma gestão positiva, os lisboetas vão continuar de casa para o trabalho e do trabalho para casa, de costas voltadas para a sua cidade e para os seus governantes.

eleições (6)

Blogoesfericamente falando, depois disto, já posso morrer.

eleições (5)

É impressão minha, ou Miguel Sousa Tavares está de meter medo, assustador, mesmo? É que já não é apenas arrogante e agressivo (a sua imagem de marca): com o avançar da idade ou lá o que é, MST está pura e simplesmente a ficar sinistro. Brrr.

eleições (4)

Marques Mendes só podia assumir esta derrota como pessoal: a não ser dele, de quem mais seria? Negrão foi atrevido e ousado na sua campanha, criou empatia nas pessoas; nem todos conseguiram ver nele o típico político interesseiro e aldrabão: Negrão disfarça bem, é populista e popular; os votos que teve a si se deveram e de pouco lhe valeu ter tido a máquina partidária do PSD às costas. Quanto à convocação de um Conselho Nacional, parece-me manifestamente pouco: Marques Mendes deveria ter a ombridade de se ter demitido aqui e já. Nesse aspecto, admiro Portas, e admirei Telmo Correia. Quando se aposta tudo e se perde, a única coisa a fazer é sair. Marques Mendes é mais um agarradinho ao poder, apesar de afirmar o contrário, sem qualquer pudor e à boca cheia. Andou mal.

eleições (3)

António Costa, no seu discurso de vitória, a não desiludir e a avançar já com medidas concretas e prazos para as realizar. Gostei.

eleições (2)

Como bem disse Saldanha Sanches, os três vereadores de Carmona são um desastre para Lisboa. Porque, é óbvio que o papel deste – enquanto presidente derrotado, saído em desgraça, apupado – vai ser o de dificultar o mandato de Costa, como uma mulher despeitada, trocada por uma amante mais nova, faz a vida negra ao marido, pondo-lhe cardos na sopa. Mais difícil é perceber porque é que os lisboetas votaram nele. Pela propalada “honestidade” ? Pela “coragem” de quem se afirmou “vítima das circunstâncias”, “injustiçado”? Porque não foi, seguramente, pela “obra” que deixou – ou melhor, que NÃO deixou - em Lisboa. Terei que pensar melhor no assunto.

eleições (1)

Talvez fosse altura de Paulo Portas pensar nas razões pelas quais as pessoas não votam PP. Telmo Correia até era um candidato decente, mas nunca me passaria pela cabeça dar-lhe o meu voto. Acho que muita gente de direita, quando chega a altura de botar a cruzinha, revê mentalmente algumas posições medievais assumidas pelo partido, como a posição sobre o aborto, as células estaminais, as "salas de chuto" para aquietar os perigosos dos "drogados" e por aí fora e, pura e simplesmente, não conseguem engolir a tese do discurso “moderno”, passando para o candidato imediatamente ao lado, em princípio o mais ao centro, o um cadito-nada mais liberal, mais arejado. Paulo Portas precisa de entender que a frontalidade e o defender aquilo em que acreditamos é muito bonito, mas tem os seus custos, designadamente, políticos. E que Portugal ainda não tem um excesso de emigrantes tal que justifique o ódio do povo e o consequente baldear para a direita do sentido geral de voto.

Quinta-feira, Julho 12, 2007

Josh Holloway:

Belo perfume.

Quarta-feira, Julho 11, 2007

ah, minha querida Lisboa

Vejo os candidatos insurgirem-se à vez contra as construções na "zona ribeirinha" e chego à conclusão de que não me importo mesmo nada que construam hotéis, bares, discotecas, restaurantes e condomínios de luxo em frente ao Tejo. Isso de uma frente de ria impoluta, numa grande cidade que se pretende cheia e cosmopolita, é coisa que não faz qualquer sentido. Quero uma frente de rio viva, com gente (autóctones, estrangeiros, nacionais) todos os dias da semana a olhar para a outra margem e a respirar a maresia, e não apenas relvados imensos e jardins desertos, que ao fim-de-semana se enchem com os cães de fila das famílias nucleares dos bairros sociais, mais os respectivos rádios de pilha, cocós e escarretas. Quero tudo menos baldios, gruas de carga, muros, contentores amontoados, ferrugem, lixo e desolação. Espaços verdes fazem falta na cidade? Pois sim, pois sim… Francamente, faz mais falta gente civilizada, que faça bom uso daqueles que já temos; e governantes, que dêem ordem para os preservar, limpar e vigiar. Havia de ser bonito, um Hide Park no centro de Lisboa… De que serve ao Jardim da Estrela ser o maior espaço verde vedado da cidade, quando lá dentro só existem lagos infectos, velhotes tristes, um café decadente e um predador sexual escondido em cada tronco centenário? E o Parque do Trancão? Mas há alguém que vá para lá passear os filhos e que arrisque ser assaltado à mão armada ou atropelado por meia dúzia de maluquinhos do tunning? Não me lixem com conversas. Façam coisas, construam mais esplanadas, cecebês, de um, dois, três andares (desde que não tapem a vista aos detrás), muitos espaços bonitos para gente decente e reservem o direito de admissão. Devolver a cidade aos lisboetas, como eles gostam tanto de dizer, também é isto: devolvê-la a mim, que cresci no Rossio quando lá não havia drogados. Lisboa não é só Chelas, o Bairro da Belavista ou a Madragoa, com as suas pobrezas típicas e panfletárias. Não, não me importo mesmo nada de ver um edifício histórico transformado em condomínio de luxo, mesmo que não tenha quaisquer hipóteses de um dia lá morar - antes uma construção recuperada com esmero e gosto por particulares com vista ao lucro, do que uma coisa pública, devoluta durante anos e a cair de podre, ou então, recuperada para o uso fantasma de uma qualquer obscura instituição da Administração Central que sustenta umas dezenas de tachos. Ah! Quanto aos candidatos, e só porque é mesmo superior a mim: Sá Fernandes, irritante (como todos os que se acham únicos donos de uma moral superior), deveria ser obrigado a indemnizar os moradores do Marquês e arredores, por razões óbvias (aposto que, no eixo Fontes Pereira de Melo – Amoreiras, não saca nem um voto); Carmona Rodrigues não tem vergonha na cara, é impressionante; e o apicultor Câmara Pereira é um palhaço, um obnóxio e ridículo palhaço, com um cérebro diminuto que não destoa da tradição familiar. Pronto. Como vêem, isto é só amor e compreensão. Ah, Lisboa, minha querida Lisboa... Tirando ali as zonas de Belém, das Docas, da Bica do Sapato, do Bairro Alto, do Chiado e arredores, estás, basicamente, uma merda: suja, esburacada, entregue aos cocós dos cães, à teimosa decadência do comércio local, aos vadios e à condução dos taxistas e dos emigras (este, um problema sazonal, vá lá). Quem me promete resgatar-te, quem? Pois, bem me parecia.

Adenda: Apesar de tudo? António Costa, evidentemente.

Domingo, Julho 08, 2007

wish list (1)

BMW Isetta.

Sábado, Julho 07, 2007

Amy Whinehouse

Rehab.

Sexta-feira, Julho 06, 2007

Cada coisa que m´arranjas, Miúda! Soubera eu onde estive ontem, quanto mais o que comi nas minhas últimas cinco refeições... Bem, mas espremendo este pobre cérebro cansado (só por ti, só por ti), o que sai é isto, do almoço de hoje até… o jantar de anteontem, talvez?

- uma alheira com ovo, muito mal-amanhada, que ficou no prato (pois, pois, quem me mandou a mim; ainda por cima, com a do nosso Gil na pituitária, na papila gustativa... ele há coisas que não se esquece; só temos é que o convencer a acompanha-la com uns grelitos salteados, não achas?, que isto da batata frita, mesmo que caseira, não está com nada e alheira, alheira, que se preze, emparelha é com grelos, lá está);
- tomate com queijo fresco, regado a azeite e polvilhado a orégãos (também frescos), com uma pitadinha de sal e uma tosta de pão de forma integral, on the side. Ah!, gosto tanto de tomate no pão, eu;
- um bife à Trindade, na Trindade do Campo Pequeno (um espaço simpático, por acaso, e bem melhor que a Trindade original, a do Chiado);
- uma salada à grega, com queijo feta, do verdadeiro;
- arroz de lagosta (também, eram os meus anos, que queres?, não que faça disto um hábito, juro… com grande pena minha, embora; urge democratizar a lagosta: o melhor alimento do universo, na modesta opinião do meu paladar pequeno-burguês).
Como se vê, sou mulher de gostos simples e populares.

Agora, passo isto a quem? Obviamente, à Catarina (vá lá, querida, volta lá ao blogue só por um bocadinho, que esta corrente até é gira), à Ana (uma querida, que me premeia assídua e imerecidamente, e que nunca se esquece de quando faço anos), à Mónica (que não pense que se safa só por estar do outro lado do Atlântico), à Isabel (porque temos um chá das cinco em atraso que, assim, se relembra) e, last but not least, ao Tiago (porque sim, porque me apetece, porque gosto muito do blogue dele e aqui está uma boa oportunidade para lho dizer). E pronto, está feito, men. Segunda, ligo-te de manhã.

Quinta-feira, Julho 05, 2007

Ontem (ou terá sido anteontem?), assisti a um dos momentos mais baixos da política portuguesa dos últimos anos. De visita a uma Docapesca algures, o Ministro da Agricultura e Pescas mais o Comissário europeu respectivo (acho), ladeados pelo habitual obsequioso séquito de inúteis, foi abordado por um pescador que se queixava do tratamento dado à questão pela União Europeia. Resposta do ministro, em modo escarninho, frente a dezenas de câmaras e microfones: “Olhe, se não gosta, peça para Portugal sair da União Europeia. Peça, peça!”. Tal como o pescador, que não respondeu, fiquei estupefacta. Nunca jamais vi tamanho desrespeito por parte de um político contra um representante do “povo” que, supostamente , representa, e que o elegeu. Foi o equivalente a um alto e sonoro “Vai à merda”, “Estou-me a cagar para ti, insecto miserável, não és digno de me dirigires a palavra”. Pior, porque com um insulto directo saberia lidar o pescador, que teria enfiado, seguramente, um pêro entre os olhos do ministro. Assim, limitou-se a ficar momentaneamente confuso e, depois de digerir a escarreta ministerial, a insurgir-se perante as câmaras: se aquilo era coisa para um ministro dizer, francamente. Já este, seguiu sorridente, mantendo a pose inchada de palhacinho rico. Foi de tal modo vergonhoso, que o próprio Comissário se sentiu - depois de lhe ter sido explicada a situação, presumo – na obrigação de dizer que compreendia o pescador, que a redução de quotas era para o bem deste porque, se não reduzissem as quotas hoje, não haveria nada para pescar amanhã… Embora, é claro que todos (a começar pelo ministro) saibamos que não é assim, que as nossas quotas diminuem, mas as dos espanhóis, para pescarem na nossa costa, aumentam, etc., etc., mas, pronto, sempre repôs um bocadinho a dignidade da coisa pública. No fundo, o que aquele fez foi dizer ao pescador “Eh pá, desculpa lá o teu ministro, que é um energúmeno; fica sabendo que nós, lá na Europa, não somos assim nem dizemos coisas daquelas às pessoas, ouviste? Deixa, que vamos tratar de ti”. Ao menos, uma aparência de cuidado, de defesa dos interesses das pessoas, de decência governativa, de pudor. Sim, um pingo de decência, já é só o que se pede. Porque não se aguenta, tanta perna aberta, tanta ordinarice, rasquice, lambuzice, venalidade e falta de respeito por quem os ouve. Já não há pachorra para as gafes nem para os erros de casting nem, muito menos, para uma encenação tão pobre e diálogos tão maus. Este é, sem dúvida, o governo mais pornográfico que Portugal já conheceu.