If there are images in this attachment, they will not be displayed. Download the original attachment controversa maresia: 11/01/2007 - 12/01/2007

Quinta-feira, Novembro 29, 2007

she seemed so glad to see me

I just smiled.

Quarta-feira, Novembro 28, 2007

o forward da nicinha

Tolhida entre o ensino do português num liceu problemático, as reuniões do condomínio e a selecção dos bifes da pá, Teresa chegava a casa e, imediatamente antes de Pedro entrar pela porta, sublimava o seu tédio de mulher demasiado casada em textos sobre amores que não vivera. Num bloguezinho intimista, forrado a ais e a uis, comprazia-se anonimamente na descrição de emoções universais que por todos distribuía, generosa - e que a todos cabiam que nem uma luva. Aos poucos, textos seus começaram a ser citados, reproduzidos e enxertados aqui e ali; e chegaram até ao Brasil, copiados em páginas brilhantes e animadas com fadas, duendes e espíritos pagãos. A propósito de Brasil: nicinha era brasileira. Percorria o corredor entre a recepção e o WC dos funcionários com trejeitos sambistas e sotaque de rica de novela, embora fosse na verdade do nordeste, lá para os lados do Piauí, mais virada para o forró e o enrolar arrastado das consoantes. No escritório, todos os homens queriam a nicinha, com aquele seu riso tímido de personagem boa que sempre vence no final, e uma bunda - essa sim, carnavalesca! - que todos imaginavam forrada a plumas, paetês e purpurinas. Mas nicinha, desde que ali chegara, só tinha olhos para Pedro. Ah, o Pedro. Português sóbrio com ar de compromisso, como só o português sabe ter, aquele charme quase europeu de homem sério, e que vivos rumores diziam ser controlado por uma mulher gárgula, assustadora e possessiva. Mesmo assim, a nicinha resolveu seduzir o Pedro, afinal, ainda está para nascer português que resista ao cerco cerrado de brasileira, para mais uma de ciclópica bunda e olhos pequenos de carneiro mal-morto, genuinamente apaixonada e compenetrada da sua paixão. De dentro do balcão da entrada, por cima do tampo quase ao nível dos seus olhinhos de índia, nicinha vigiava Pedro, trespassando os vidros entre eles, e conhecia-lhe de cor os modos. Sabia que, quando começava a tremer a perna esquerda, estava a ficar precisado de ir lá fora fumar; que, quando agarrava o cabelo com a mão e o repuxava para trás num gesto rendido, era com a mulher gárgula que estava a falar e que, quando esfregava os olhos lá pelas onze, era hora de ela lhe levar o nespresso, antecipando-se-lhe. Começou por mails inofensivos, algumas piadas brejeiras mas sem descambar, e uns pensamentos em power point sobre a inevitabilidade do amor, com Vinícius em fundo e umas frases do Paulo Coelho. Ele chamava-a para agradecer, polido, ou acenava brevemente a cabeça do outro canto do open space, e então o coração de nicinha esvoaçava e batia, desnorteado, contra o tampo de madeira falsa que a rodeava e prendia. Pedro, de olho na promoção, mantinha a distância, a competência e o respeito, e fitava-lhe os olhinhos pequenos com condescendência quase paternalista, como se ela uma adolescente enfatuada e um pouco iludida. Na verdade, sonhava acordado com aquela bunda emplumada só para ele e o risinho a transbordar de praia e mar. Foram-se tendo assim por uns tempos, à boca da secretária dele, por cima do balcão dela ou quando se cruzavam entre portas. Às tantas, nicinha resolveu subir a parada e atreveu-se a imagens mais explícitas, de conteúdo muito gráfico, reproduzindo-se em posições inusitadas e chamando os bois pelos nomes. Pedro dizia que sim, que talvez, que não, que era casado e amava a mulher. Nicinha tentou de tudo: decotes muito reduzidos, anedotas indecentes, fotos dela em poses sugestivas, agora uma alça do soutiã, depois um mamilo espetado, por fim, a bunda escarrapachada na lente. Mas Pedro, apesar dos ligeiros roçagares um pelo outro, continuava a agradecer gentilmente o nespresso, a fumar sozinho na varanda e a repuxar para trás o cabelo ao telemóvel: aflito primeiro, apaziguado depois, a despedir-se da gárgula com um sorriso manso. E nicinha roída, enciumada de uma mulher que não conhecia, invejosa dela e do seu poder amoroso. Resolveu jogar sujo, dar o tudo por tudo e, sabendo-o sensível e letrado, vai de lhe atirar com poesia e prosa poética, com tudo o que de massacrado e de profundo lhe vinha parar às mãos. Um dia recebeu um texto. Um daqueles que vêm em corrente, perdidos na origem e de autor desconhecido, que é de todos e não é de ninguém. Leu aquilo de uma vez e um formigueiro acorreu-lhe aos dedos como se os tivesse fechados há horas; sentiu a alma tão vasculhada por dentro que até chorou. Era exactamente o que sentia por Pedro: um desespero doentio, os ciúmes da legítima que com ele partilhava a cama, os filhos, o corpo e a escova de dentes. Era aquela, a raiva que a invadia a horas mortas quando o sonhar já não chegava e a crueza do dia lhe surgia pelas frestas do estore do apartamento alugado, deixando antever os baldios separados por caniçais. Era aquele, o fogo que a trepava quando adivinhava que outra o acordava com um beijo e lhe escolhia a gravata com que ele lhe chegaria nessa manhã, pronto para mais um namoro discreto entre emails, biombos e vidros, para mais um cafezinho às onze, tirado por antecipação. Resolveu, numa afoiteza súbita, fazer-lhe um forward do texto. Já está, agora, ele vai perceber o que eu sinto, vai dar valor. Entretanto, já em casa, Teresa, roída por idêntico sentimento, resolve vasculhar a privacidade virtual de Pedro. A palavra passe é de certeza qualquer coisa com o nome do cão da família e a sua data de nascimento, ou vice-versa (Pedro é signo Leão, está no centro do mundo e ama com magnanimidade os animais que se lhe submetem e que o adoram, como é o caso). Não tardou a entrar na caixa pessoal daquele e logo o nome no remetente, nicinha, que associou a perfume barato e a colegial atrevida, lhe chamou a atenção. Com avidez nervosa e a nuca suada, carregou para abrir e, numa bonita font arrial narrow, viu o seu texto, aquele que havia escrito cerca de um mês antes num acesso de tragédia e perante o avassalo de um ciúme daninho. Em anexo, uma foto de nicinha, de olhos sumidos e boquinha de broche, com o fio dental enfiado nas carnes da pomposa bunda, equilibrada no parapeito descascado da marquise e recortada na paisagem triste do subúrbio, com a linha de Sintra em fundo. Na mão, um coco de plástico ganho numa promoção de Verão e uma palhinha rosa, por onde nicinha fingia sugar qualquer coisa evidentemente fresca e muito tropical. Teresa pasmou, incrédula. O texto dela, deambulando anónimo e reeenviado pela nicinha tropical de plástico para o seu Pedro! Aquilo que ela, Teresa, não fora capaz de lhe dizer na cara e que por isso despejara no mundo, chegava-lhe a final pelas mãos de alguém que era o motivo e a razão abstracta que a levara a escrevê-lo. Porque, era um facto: entalada entre as aulas, as reuniões e os bifes da pá, e de costas viradas para Pedro quando este chegava a casa, Teresa tinha pavor das nicinhas deste mundo.

Terça-feira, Novembro 27, 2007

pois eu gosto da ASAE
e não concordo, nem com as acusações de excesso de zelo, nem com as vozes de indignação generalizada. Ou há moralidade, ou comem todos. Donde, em havendo moralidade, não deve comer nenhum. A moralidade, neste caso, traduz-se na simples aplicação da lei, independentemente de a quem tal chateia, incomoda ou prejudica (subjectivamente falando, claro). Uma lei que visa proteger-nos, a nós, consumidores (repito: a nós, consumidores). E que deve ser aplicada sem excepções. Eu até entendo esta inquietação, de urbanos asseados que somos, apreciadores da “tradição” e do “típico” de fim-de-semana. Só que a tradição é algo, por definição, muito antigo e assim, referindo-se geralmente a quando as pessoas e as coisas mal se lavavam, a desinfecção era um conceito desconhecido e as salmonelas, uma série de sintomas desagradáveis sem um nome específico. Eu não me importo, e até agradeço, que as bolas de Berlim que, na minha infância, eram passeadas ao sol de Verão dentro de cestos abertos, hoje me sejam entregues com pinças, de dentro um recipiente refrigerado; nem que fechem a ginginha, um sítio bedunguento onde se roçavam os bêbados e os drogados que infestam o Rossio, e que só era very tipical, basicamente, para os incautos turistas, que ali sentiam frémitos com o atrevimento de partilharem os hábitos sujos dos nativos (a propósito, ler este post , com o qual discordo em absoluto); que fechem temporariamente o Galeto porque tem baratas na cozinha ( e que se mantém ainda hoje o melhor e mais útil restaurante de Lisboa); que as castanhas sejam assadas em fornos bonitos de inox e servidas num papel limpinho; que os ciganos engordem um bocadinho menos à conta do desplante e da violação indecente dos direitos de autor de quem faz roupas e filmes; nem que o dono de um restaurante tenha de apresentar facturas de compra e transporte dos bens que adquiriu (com as respectivas datas) e que me pretende servir - a mim -, de forma a que eu saiba que não estou a comer perca do Nilo em vez de cherne. Se, com isso, não puder servir os grelos que plantou no quintal nem fritar os ovos das suas galinhas do campo, azar: este é um mal menor, é o preço a pagar pela lisura das relações entre os agentes económicos. Além de que, se os outros profissonais da restauração servem ovos estrelados e grelos salteados sobre os quais pagaram imposto, porque razão hei-de eu (que pago ao Estado até quando como) contribuir para alimentar uma economia paralela que beneficia apenas alguns? Por isso, não: não me importo, e até prefiro. Gosto da ASAE e, para mais, trabalho diariamente com os seus inspectores: não vejo na sua actividade nenhuma cruzada fundamentalista, mas apenas uma eficiência empenhada que não olha a quem nem faz distinções. Coisa a que este Portugal, meio badalhoco e um bocadinho feudal (e que ainda vê os privilégios de alguns como coisa natural), não está habituado.

Terça-feira, Novembro 20, 2007

eu, se tivesse um restaurante,
não quereria empregar um cozinheiro com sida. Se já o tivesse empregado, mas de nada soubesse porque ele o ocultara, quereria despedi-lo imediatamente. Quanto mais não fosse, porque o risco negligenciável que daí resulta em termos de saúde pública, é mau para o negócio. E a perspectiva de quem tem um negócio, por estranho que possa parecer a alguns, passa muito por tentar mantê-lo. Que alguém me explique o que tem isto a ver com discriminação.

Quinta-feira, Novembro 15, 2007

adequação e desproporcionalidade

Um gesto lépido, um encolher de ombros, uma frase. A ela, basta-lhe uma frase, em especial se sincera. Não porque o pretenda ser ou faça por isso, mas porque a verdade circula nos meandros que a compõem. Então ela recolhe-se, como se um corpo estranho. Uma frase simples, que traduza a reacção adequada à provocação sem sentido. Que, de tão normal, mediana (gaussiana), a faz sentir-se diferente, avariada, sem remédio. Que lhe cala as palavras dentro ainda antes que se formem: letras avulsas passarão a correr nela como linfa. A loucura e o desgoverno alimentam-se do excesso que criam; a normalidade é autofágica. Ela preferiria que a razão lhe permitisse ser fugaz (a razão, esse conceito que lhe é longe como o recorte de cordilheiras). Ela quereria não ver a vida na progressão geométrica do desespero. Às vezes, acorda e estremunha, mas nem por isso mais lúcida, apenas mais cansada. Só não é uma criatura sombria porque não se leva a sério. Ela precisa de fazer nada, para sustentar o delírio. Esconde o desvario nas palavras que não escreverá e encaixa num recanto de si a frase normal, como se esta lhe fizesse cócegas para sempre.

Terça-feira, Novembro 13, 2007

este blogue também não

Marginais, só os de smoking.

Para mim, a televisão resume-se às séries da Fox e aos programas sobre animais/natureza, em qualquer canal. Hoje, num desprevenido momento de zapping, fiquei paralisada na SIC. Pelo que percebi, há um concurso chamado “Família Superstar”, em que pais/tios/avós/sobrinhos/filhos/netos estão numa casa tipo big brother e têm que cantar/dançar para ganhar. Não sei o que terá acontecido, mas imagino que um binómio mãe/filha tenha sido liminarmente expulso. Fiquei estarrecida. A mãe, uma criatura sem dúvida desequilibrada, estava em estado de choque, catatónico mesmo, e as lágrimas corriam-lhe pela cara enquanto a levavam em braços da casa para fora e a enfiavam à força numa limusina. A miúda estava positivamente em pânico por ver a mãe naquele estado e chamava incessantemente por ela, muito chorosa e assustadíssima com o que estava a presenciar. O meu pensamento imediato foi, estes cabrões, arrancam as pessoas às suas vidinhas de merda, dão-lhes todos os luxos, criam-lhes necessidades novas, sonhos e esperanças; fazem-nas sentir-se importantes, serem alguém e, de repente, tiram-lhes tudo e atiram-nas outra vez para as suas vidinhas e os seus T2 na linha de Sintra. Alguns, emocionalmente mais frágeis (para não dizer malucos) ou pura e simplesmente menos inteligentes (para não dizer burros), passam-se, claro. O espectáculo confrangedor continuou com uma Bárbara Guimarães sem o menor jeito para gerir situações de crise (volta Júlia Pinheiro, que estás perdoada) e uma data de gente estranhamente abraçada e a chorar, como se estivesse num velório. Tudo menos um programa de entretenimento, como seria suposto. Mas do que tive pena, mesmo, foi da miúda. Voltar a casa com aquela mãe catatónica e uma mão cheia de sonhos desfeitos, não se faz. Aquilo é uma pornografia de emoções. Parte delas, infantis, ainda por cima. Francamente, sou tendencialmente não-repressiva, porque penso que as coisas tendem a auto-regular-se e que isso é algo de bom, mas acho que as Comissões de Protecção de Menores deveriam andar em cima destes programas. Aquela mãe é uma mulher com muitos problemas. Aquela filha, obviamente, também. E é muito ténue, a linha entre a suposta benfeitoria e o abuso.
a pedido de várias famílias

Sim, eu sou a Grande Puta, a Cabra-Mor, a Meretriz; sou Salomé, Jezebel e Madalena por arrepender. Não sou é lá muito saudável; detesto sushi e, especialmente, detesto correr: as maminhas saltam muito.

Segunda-feira, Novembro 12, 2007

I Would Like To Buy A Hamburguer

Por juntar Ana Carolina (ajoelhar e rezar) e um dos meus filmes favoritos de sempre, num só post, declaro oficialmente a Monica como a minha puta saudável favorita.

por que no te callas?

É como os que insistem em manter conversações com terroristas, em democratizar fundamentalistas, em amaciar déspotas ou em converter ditadores. Há aqui uma nítida confusão de planos, que desemboca em coisa nenhuma. Para além da questão óbvia da privação dos sentidos, como se fosse uma doença incurável: para quê perder tempo a explicar e a tentar entender o que é irracional? Para quê dialogar com quem está cego e surdo? Que se calem, que é menos um mal que provocam.

Quinta-feira, Novembro 08, 2007

as putas saudáveis

Há uma nova tendência na blogoesfera: as putas saudáveis. As putas saudáveis (PS) são gajas (ou gajos a fingir) entre os trinta e os cinquenta anos, ferozmente anónimas, que correm dez quilómetros por dia e adoram sushi. Que, aliás, só comem sushi e umas coisas com nomes difíceis que elas lá cozinham e a que adicionam ingredientes como rúcola e gengibre. Que não têm celulite nem mamas e têm muito orgulho nisso. Que usam sempre os cabelos compridos e na sua cor natural (tipo negro azeviche ou ruivo cor de fogo) e desprezam mulheres com madeixas, expressão que cospem com nojo mal-contido. Para quem todas as mulheres são gordas e feias (excepto as mesmo feias, nas quais gostam de descobrir a beleza interior), e todos os homens, uns trastes mentirosos. Que acham que ancas e rabos são curvas mais traiçoeiras que a do Mónaco e que as outras mulheres são todas umas grandes vacas, por isso elas, as PS, não têm amigas - só fãs, que as lêem. Que são sexualmente frustradas e orgulhosamente sós, pois já viram de tudo: as sobreviventes, portanto. Que às vezes também têm filhos, cuja privacidade resguardam com afinco, inventando-lhes, aos Martins, Lourenços e Salvadores, nomes comuns, como Pedro e João. Não obstante, raras vezes falam neles e, quando o fazem, é normalmente porque precisam de acentuar uma feminilidade que não transparece da sua escrita rude e azeda, mascarada de cinismo. Que desprezam a classe média e as suas manifestações de riqueza remediada porque não têm onde cair mortas e acham que são mais livres do que os outros por isso. Que se demarcam das que compram na Zara, porque a Zara é barata e democrática e é onde (julgam elas) se abastecem as manicures. Que não têm o menor jeito para a caracterização de tipos sociais, mas acham que sim. Que não têm um crlho de sensibilidade para o que lhes passa em frente ao nariz, mas que se indignam muito com as injustiças colectivas que assolam a humanidade e se emocionam com o sulcar das rugas no rosto tisnado de uma velhinha que um dia viram passar. Que odeiam qualquer tipo de associativismo e que se acham bestialmente cool por serem umas não-alinhadas. Que têm orgulho em serem umas cabras. Que dizem estarem-se nas tintas para a figura e para o que pensam delas, pois gostam é de andar confortáveis de salto raso, mas não deixam de salientar que lhes vão bem os saltos agulha e que se enfiam facilmente numas calças 26. Que se iniciaram no comprazimento sexual com um henry miller roubado da biblioteca do pai - que foi o único homem decente das suas vidas. Pai, esse, que nunca é condutor da carris ou simples marceneiro, mas quase sempre um revolucionário de esquerda, protector e romântico, de contornos quixotescos. Que têm mães que são exemplos de coragem e sabedoria, e nunca simples donas de casa que passajavam bainhas à espera dos maridos. Que tiveram avós extraordinárias, com quem aprenderam grandes lições de vida. Que já leram muito, embora não o andem para aí a alardear, como as outras, que falam de Tolstoi no blogue enquanto exibem o tornozelo e o decote, as cabras. Que têm recorrentes reminiscências infantis de sítios longínquos e coloridos como África ou Macau, onde conviveram alegremente com os nativos e onde um dia foram muito mais felizes do que o que são agora, enjauladas que estão, como bichos selvagens, em apartamentos na cidade (mas sempre com vista para o rio). São as putas saudáveis.

Quarta-feira, Novembro 07, 2007

Mais um efeito nocivo da revisão do Código Penal

2DJ's do C*****, live set, à solta no Frágil!

A partir da meia noite de 8 de Novembro (ok, 9, ó picuinhas).
O melhor é não faltar, senão um deles pode ficar sozinho. É dançar!

(os 2 djs do C****** são Nuno Miguel Guedes e Zé Diogo Quintela).

Terça-feira, Novembro 06, 2007

do you know who I am?

Outro dia, na TV Cabo, vi Jerry Seinfeld num talk show, não me lembro se no Conan se no Jay Leno; bom, num desses. Um parêntesis para dizer que adoro a série. Episódios como o do nazi das sopas, o do rapaz-bolha ou o da noiva morta por lamber os selos, vão ficar para sempre na história das sitcoms. Apercebi-me, no entanto e por um lado, que Jerry Seinfeld é na vida real um imbecil; por outro, que grande parte da piada da série, feita de insignificâncias embaraçosas e incorrectas, se terá devido a Larry David (conferir Curb your Enthusiasm). Seinfeld responde às perguntas do entrevistador (era o Leno, sim) com larachas ensaiadas como se estivesse num número de stand up comedy, mas num dos maus. Muitas vezes, as respostas nem tinham a ver com a pergunta, tal era o frenesi de encaixar a piadola. Nenhuma espontaneidade, nem sequer fingida (como convinha) e muito pouca graça. Além do mais, Seinfeld estava a promover um filme animado com uma abelhinha como personagem central que, pela amostra, é pobrezinho. A confirmar a má impressão, agora este vídeo que corre a net, com um narcísico e incontinente Seinfeld a desancar um desasado Larry King, só porque este, numa entrevista, lhe perguntou se, ao fim de nove anos, o programa havia acabado por vontade dele, Seinfeld, ou sido cancelado. Que grande idiota.

Segunda-feira, Novembro 05, 2007

há qualquer coisa de repugnante
na intermitente histeria acusatória do binómio Namora/Pestana. Ao contrário do que possa parecer, ao acusarem em abstracto e sem quaisquer provas, prestam um mau serviço ao combate à pedofilia. Fazendo recair sobre todo e qualquer “poderoso” um juízo público de suspeição, estão a contribuir para a vitimização de cada “poderoso” em particular. Assim se dilui, por todos e por cada um, a culpa que será só de alguns. Isto ajuda a criar nas pessoas uma empatia natural para com aqueles, os “poderosos” injustamente acusados e, ao mesmo tempo, um bocadinho de asco contra quem se habituou a cuspir para o ar e a ficar a ver em cima de quem cai. O trauma mais que justificado de Namora, ex-casapiano abusado, que o move à louvável perseguição de quem pratica este tipo de crimes - até como meio de exorcizar os seus fantasmas -, surge assim aos nossos olhos como um desejo de vingança mais ou menos cego, exercido com a conivência gulosa dos media.
por aqui vê-se muito pouco futebol,
graças a deus e apesar das três pilinhas que tenho em casa. O reduzido tempo perdido com esta espúria actividade, é-o mais com a Liga inglesa do que propriamente com a chata da portuguesa, onde tudo está definido à partida, com o Porto-que-já-ganhou (boooring). Deste muito pouco, quase nada me prende o olhar, a não ser o fim dos jogos com o Manchester. Naquele momento em que Cristiano Ronaldo despe a camisola, em especial quando filmado de costas, vislumbra-se a perfeição e o tempo quase que pára um bocadinho. Depois, lembro-me do "se eu não querresse...", e passa-me logo a poesia.

Sexta-feira, Novembro 02, 2007

Reparo agora que a maior parte dos meus amigos estão definitivamente separados ou em vias de o serem, e dou por mim a pensar na vexata quaestio que é o adultério. Porque é que as pessoas se traem? Existirão motivos vários, claro, mas, olhando para as minhas amigas, as ainda casadas e as já separadas, concluo que quem trai de forma mais empenhada e convicta, fá-lo quase sempre por vingança. Vingança por uma traição anterior, pela falta de atenção do outro ou, pura e simplesmente, vingança por uma vida de merda em geral. Os restantes adúlteros, os que um dia sentiram um genuíno entusiasmo por uma terceira pessoa, são, invariavelmente, uns atrofiados. Não tanto por causa da culpa – esse sentimento difuso a que chamam outros nomes para facilitar -, mas mais pela falta de jeito a que esta conduz. Enganar com competência alguém de quem (ainda e também) se gosta, não é para todos. Uns e outras comportam-se como verdadeiros totós, desatando a chorar no acto, por exemplo, ou ficando impotentes ou frígidas, numa estranha denegação erótica. Em suma, congelam em vez de arderem, como seria suposto. Além de que, depois, têm uma imensa dificuldade em não estampar a traição na cara e em não se denunciarem em cada palavra, em cada gesto. Quase todos acabam por concluir que não valeu a pena, tanta trabalheira (e que é, não raro, acompanhada de idêntico sofrimento). É um facto: as pessoas decentes dão péssimos adúlteros. Aliás, quanto mais decentes, boas e íntegras são, mais desastrosa é a experiência.