there were times when I was so lonesome I took some confort there...
Quarta-feira, Janeiro 30, 2008
Terça-feira, Janeiro 29, 2008
pouco importa. Era previsível que o tempo ficasse suspenso e que o tal micro coiso segundo não se esgotasse assim, como na vida. E (já que quiseste saber) a parcela de tempo em que tudo supostamente mudou mantém-se ainda suspensa, como uma lua teimosa, sem saber se há-se minguar ou crescer nem se, ao crescer, vai iluminar as sombras que as pontas mais recônditas no canto dos dedos lançam nas paredes da casa. Um prado de dedos ao vento, para cá e para lá, à espera de que alguém os apanhe na altura certa, os aperte e os misture noutros dedos, debulhando-os. Disse-te que era até ficar só o Amor (a parte que se aproveita), mas não sei se será bem assim. O silêncio que se seguiu infectou os gestos dos envolvidos; espadas que impendem, condicionantes e anátemas, de repente parece que ficou de chuva. No fundo, vontade nenhuma de voltar atrás nem de dar o dito pelo não dito e a certeza de que, cedo ou tarde, o atrevimento (ou a inconsciência, em dependendo do ângulo) dará os seus frutos. No entretanto, arrepiar caminho só para que a rejeição nos pouse leve e nos faça até rir porque já sabíamos, triunfantes com a nossa própria previsibilidade. Não há hipótese porque eu determinei que assim fosse, estava apenas a pôr o destino (agora chamo-o assim) à prova, a queimar os dedos. Sorrimos, encolhemos os ombros, contamos para dentro os mortos e feridos e o tempo retoma enfim a sua marcha (e nós, a nossa). Dos danos colaterais que a explosão que esses dedos (as pontas mais soltas da pele dos dedos, onde mal afloram os sentidos) provocaram, se calhar nunca saberemos.
O episódio de hoje (do house) foi fabuloso.
Segunda-feira, Janeiro 28, 2008
aos altos representantes do Estado e de corporações ou classes, virem para os media lançar acusações em abstracto e disparar em todas as direcções, a propósito de escutas ilegais, corrupção ou seja o que for. Isso é conversa de café e, enquanto tal, não devia dar direito a tempo de antena, entrevistas, pressurosos inquéritos criminais nem, muito menos, a explicações detalhadas na Assembleia da República. Uma conversa de café é para ficar confinada à recepção da roda privada de amigos do emissor e não para ser elevada à condição de declaração de Estado. É claro que não se pode pedir a quem acusa que prove tudo o que diz, mas é igualmente inadmissível que se lance atoardas (basicamente, lugares comuns sobre o estado da nação) sem um ponto de partida, ou seja, uma suspeita minimamente fundamentada, baseada em factos ou na ameaça destes. Ao contrário do que muitos pensam, este tipo de declarações não põe o dedo na ferida nem denuncia a coragem ou a irreverência de quem as profere. Geralmente, reflecte apenas a maneira de ser um bocadinho desbocada de alguém que não sabe distinguir o seu egozinho de rei da rua e de dono do bairro, da persona institucional na qual se encontra investida (e da contenção e reflexão redobradas a que tal obriga). E atirar para o ar a ver onde cai, correndo o risco de atingir inocentes mas de, ao menos assim, não chatear directamente nenhum culpado, é mais cobardia que outra coisa. Além daquela questão recorrente que me aflige, como já devem ter reparado, que é a da falta de educação, da basezinha, do cházinho. Uma espécie de débito de personalidade que faz com que, quando recebemos uma fatiazinha de poder para as mãos, a queiramos comer logo toda de uma vez e de boca aberta, para toda a gente ver quem manda no bolo.
Sexta-feira, Janeiro 25, 2008
aquele bocadinho de tempo em que o cérebro cai em si e dá a ordem, mas já não é possível aos dedos, às mãos, voltarem para trás; aquele momento em que a ponta do dedo, a ponta mais remota do dedo, a mais afastada do centro da mão; e em que a unha, a parte mais branca da unha, arredondada, polida, arranjada, roída, toca no botão, na tecla que acciona a bomba, o cogumelo alucinado, uma explosão de letras; aquele micro nano pico zepto não sei das quantas, em que as falanges se estendem, desobedientes, e a linha da vida se desdobra e se alisa, no intuito de mais uma vez se cumprir. Aquela fracção cósmica antes da qual ainda achamos que tudo é possível e em que nos percorre o fervor religioso da verdade, porque não, porque não dizer tudo. E, agarrada à cauda daquele momento como restos de nebulosas, a brusca percepção do que acabámos de permitir; a consciência de qualquer coisa de irreversível, de uma flor arrancada à terra, da onda que nunca mais aquela, da gaivota que acabou de passar num canto impossível do céu, dos verbos para sempre conjugados. Quando o que queremos é agarrar no mundo e empurrá-lo para trás, reverter-lhe a rotação, e vermos a verdade recolher-se ao ventre de onde saiu, puta que a pariu.
Um alerta de Paulo Pinto Mascarenhas no blogue da Atlântico.
Adenda: ler também os comentários ao post, reveladores.
Quinta-feira, Janeiro 24, 2008

os 2DJ's do C******! juntaram-se de novo e regressam à casa que os viu nascer e rapidamente os entregou à adopção:
sábado, 26 de janeiro, 00.30. No Napron, r.da Barroca 111
LUZ! COR! RAPARIGAS! RAPAZES! TÁXIS PARA CASA!
Eles têm carisma e sofisticação. Agora, mais uma vez, vão tentar provar que também conseguem por uns discos!
Não faltem a mais uma desesperada tentativa!
[os 2 Dj's do C******! são Nuno Miguel Guedes e Zé Diogo Quintela (nomes registados)]
Quarta-feira, Janeiro 23, 2008
(lembro-me de que gramava com o prognatismo do lionel, o poncho da dionne, os soquetes do michael, os gritinhos da cindy, as cabeleiras dos pretos em geral e os bigodes dos brancos em particular, só para chegar a bruce springsteen, de olhos fechados e a transpirar cama por todos os lados. nessas alturas, a fome no mundo era a menor das minhas preocupações.)
Terça-feira, Janeiro 22, 2008
Uma coisa engraçada que concluo da recolha de testemunhos vários: já repararam que os homens não respondem por aí além aos nossos espirituosos mails? Quantas de nós não viram já as suas afectuosas mensagens caírem no saco roto do lixo virtual ou do centro de mensagens da plebe masculina? Estou em crer que isto é porque eles nos temem um bocadinho. A sério. Medo. Miúfa. Cagacinho. A maior parte dos homens acha que não nos compreende, a nós mulheres, e que está a milhas de conseguir prever as nossas absurdas reacções, por isso tem terror de nos enviar sinais que possamos interpretar de forma errada. A mensagem mais inocente por nós enviada é amiúde entendida como provocação/convite/estímulo/rejeição/desagrado (riscar o que não interessa), pelo que (pensam eles) o melhor é não dizer nada para não acicatar o animal. Aliás, para os homens, mulheres e inocência é uma contradição nos termos. Um espécime médio masculino, quando recebe um mail de uma mulher, descodifica o texto, analisa sumariamente os potenciais riscos e, se puder, arruma a coisa a um canto. Ou porque acha mesmo que está tudo dito e que qualquer resposta da sua parte seria desnecessária, ou porque o que quer que dissesse poderia induzi-la em erro e depois teria de ficar com ela à perna uma data de tempo, a entupir-lhe o correio, o telemóvel, a vida. É que quase todos os homens se relacionam com as mulheres que vão conhecendo com uma cautela e caldos de galinha que lhes advém de, em determinada altura das suas vidas, terem ficado traumatizados com o assédio bruto de uma fêmea descompensada. O que faz com que todas as mulheres com quem mantêm uma relação a respeitosa distância, sejam malucas em potência (pois quanto às que lhes estão perto, têm a certeza de que o são). Nós corremos poucos riscos de, perante um simples convite para um café, um deles nos responder de volta, “Sim, também estou louco por ti”. O mais certo é eles pensarem que, perante o nosso convite, o que queremos dizer é que estamos loucas por eles. Ou, pior ainda, que sabemos que eles estão loucos por nós. Mas, na verdade, os homens até têm a sua razão. Nós não nos ensaiamos muito para dispararmos entre dois sorvos de delta platina que sim, estamos loucas por eles, se estivermos na altura exacta do TPM (antes, durante ou depois, consoante o mapa hormonal de cada uma); só para desdizermos tudo uma semana depois. E, quando recebemos uma mensagem deles (ou de uma amiga ou mesmo do enlarge you penis), ficamos derramadinhas para responder, com os dedinhos logo a fibrilar em direcção ao teclado. Esta compulsão é a mesma que nos faz responder aos SMS's no meio de um cruzamento e sair do banho a correr quando o telefone toca. Porque nós adoramos responder, dar troco, retorquir: está na nossa natureza. Repugna-nos deixar os interlocutores sem resposta, adoramos alimentar o fogacho da converseta e somos capazes de passar horas naquela marmelada do desliga tu!, não, desliga tu! - e isto sem estarmos apaixonadas por ninguém. Até nos damos ao trabalho de confabular (ai o que nós adoramos confabular!) e de responder aos silêncios deles, tipo, não me respondeste porque isto, mas eu sei que querias dizer aquilo, sendo que o que eu acho sobre o assunto é aqueloutro. Chegamos a ficar a escrevinhar sozinhas enquanto eles se limitam a monossílabos que rezam para que soem ao menor comprometimento possível. É claro que, por esta altura, já muitas de vós estareis a pensar, ah mas eu não sou nada assim, para o que adianto muito rapidamente uma razão: se não sentem a compulsão de correr para atender, responder, porem-se a adivinhar ou retorquir em geral, talvez isso seja ou progesterona a menos ou testosterona a mais (e se calhar até um bocadinho de buço, não?). Há uma outra hipótese, claro: a de a falta de resposta ser apenas o resultado da falta de educação - sendo que esta atravessa qualquer género e manifesta-se de idêntica e desagradável forma em pipis e pilinhas.
é uma seca. Talvez devesse ter ficado pela terceira, incólume e brilhante.
Adenda: entretanto, zapo para o nip tuck e a mulher do médico (feio) está a comer um anão (juro). Ora aqui está uma série que não deveria ter passado da primeira temporada, credo.
Domingo, Janeiro 20, 2008
- In the trunk of our car.
Um fim de tarde tarde de domingo passada a ver Little Miss Sunshine pela primeira vez. Como foi possível só agora ter dado conta desta pequena maravilha?
Sexta-feira, Janeiro 18, 2008
Li há alguns anos o romance Expiação, para mim o melhor de Ian McEwan. Ainda não vi o filme, mas não duvido de que se mostre inferior ao livro, como tem acontecido com a adaptação para o cinema das obras de McEwan. Existe sempre nas personagens dele uma filigrana interior tão intrincada, que é dificil percebê-las na tela, mesmo que num contexto perfeito de imagens, diálogos e ambientes. Do que me lembro, no entanto, Keira Nightley parece-me perfeita para o papel de Cecília.
Terça-feira, Janeiro 15, 2008
Segunda-feira, Janeiro 14, 2008
Já não posso ouvir falar da ASAE. Nem de ler posts, notícias ou receber mails com piadolas giras sobre a ASAE. É que já nem é só uma questão de higiene: será que esta gente não percebe que, ao permitirem que a D. Graciete venda os rissóis de camarão feitos na cozinha do T1 enquanto limpa o ranho do miúdo, para aquele restaurante grande da esquina, recebendo por debaixo da mesa e sem declarar um avo, está a prejudicar e a enganar todas as empresas e particulares licenciados que, taxados à bruta em todo o processo de fabricação, fazem também eles rissóis para revenda? Será que os que ficam tristes porque o Sr. Tomé já não faz o cozido com couves da sua horta, não percebem que os outros, os que produzem e vendem couves, pagam até para as transportarem? Será que aqueles que tanto se insurgem contra a fiscalização das actividades dita tradicionais e que, presumo, paguem impostos (e se sintam tão lixados com isso como eu), não percebam que muitas delas mais não são do que formas de fuga ao fisco que prejudicam quem não foge (uma vez que tal fuga é um ónus que acaba por recair sobre todos?). Que, por exemplo, se justificará a apreensão de jóias numa loja como a CARTIER, que não está licenciada como joalharia, e que as joalharias pagam mais (são portanto especialmente taxadas) para que possam precisamente vender jóias? E que muitas das alegadas tipicidades portuguesas, como a da tão badalada Ginginha, mais não revelam do que a preguiça e a badalhoquice dos proprietários e o desrespeito pelos clientes? E mais: tal como disse aqui, grande parte dos boatos que correm e que tanta tinta fizeram gastar, são isso mesmo: boatos. Para as bolas de Berlim, colheres de pau, utensílios nas esplanadas, castanhas em jornal, pão para açorda, etc., vão aqui, aos esclarecimentos. E deixem lá os homens trabalhar, porra.
Sexta-feira, Janeiro 11, 2008
Não sei se sabem, mas a detenção de armas brancas que não tenham uma aplicação definida e concreta, é crime. Tal como o é, a detenção de instrumentos construídos exclusivamente com o fim de serem usados como arma de agressão (dizem eles). Portanto, se andarem no carro com um canivete suíço ou uma ponta-e-mola só porque sim, ou um bastão de baseball ou uma perna de mesa (sendo que por acaso não fazem desporto e até comem no chão), arriscam-se a uma pena de prisão no máximo de três anos ou multa até 360 dias (o mínimo são 10 euros/dia). Solução? Não transportar nada que possa ser usado como arma de agressão e para cuja posse não tenham uma explicação plausível. Dizer que a moca é para se defenderem de uns ciganos que vos costumam fazer esperas ou que o canivete é para cortar a fruta, lamento, mas não vale: a tal ponto chega a absurda amplitude do conceito legal.
Quinta-feira, Janeiro 10, 2008
Quarta-feira, Janeiro 09, 2008
Terça-feira, Janeiro 08, 2008

Propostas de adopção para vieiradomar@gmail.com (e ainda poupam 50 aéreos, que é o que custam nos centros comerciais).
Segunda-feira, Janeiro 07, 2008
Li a lei. Primeira impressão: como quase todos os diplomas que emanam da nossa Assembleia da República, vem com erros de sintaxe, próprios de quem escreve mal em português. Segunda: contém contradições e artigos cuja estatuição se repete, o que dificultará a sua interpretação. Terceira: permite concluir que é permitido fumar nos estabelecimentos de restauração inferiores a 100 metros - e no estabelecimento todo!, desde que este disponha de dispositivo de ventilação com extracção para o exterior - portanto, façam lá a porcaria do buraco, instalem a ventoinha e não chateiem mais nem se façam de vítimas. Quarta: a ridícula imposição de dísticos para sim, para não e para talvez quem sabe um dia, que têm de ser conformes ao modelo blablablá, constante do anexo 1, iadaiada à presente lei, significa que alguém (leia-se: um bimbo qualquer dono de uma empresa produtora de dísticos e primo de algum deputado do PS) vai enfiar ao bolso muitos milhões. Quinta: o montante absurdo das coimas, que reflecte a absoluta incapacidade de o legislador português entender que, por muito louvável que seja a sua intenção, não se pode (ou não se deve) mudar de um dia para o outro o status quo e o modus operandi de uma sociedade inteira, através da ameaça com uma punição desadequada ao acto (ainda no outro dia um alemão que conheci em Stuttgart e a viver em Oeiras me dizia que adorava viver em Portugal porque este era, entre outras coisas, “o paraíso dos fumadores”). Sexta: aquela advertência expressa de os privados deverem chamar as autoridades para lavrarem “o respectivo auto de notícia” e de os utentes também se poderem queixar e pedir o livro de reclamações, é desnecessária (mas nós não podíamos já fazer isso perante qualquer outra infracção?) e dela emanam uns certos eflúvios persecutórios e pidescos que me são francamente desagradáveis. Resumindo: uma lei mal redigida que pretende regulamentar à estúpida e através da proibição total uma situação que, até há uns dias atrás, era um perfeito regabofe (e em que, por exemplo, nos centros de saúde, os velhos cuspiam o catarro dos definitivos para cima das grávidas). Mas na verdade o que interessa é que alguém ganhe com o assunto, como sempre acontece com estas leis que pretendem regular ex novo todo um sector da sociedade. E, neste caso, assim de uma forma óbvia e à primeira vista, ganha portanto o gajo dos dísticos mas, xacáver, também os gajos dos “laboratórios de ensaio” acreditados pelo IPAC, que vão medir o teor de nicotina dos cigarros, e - helás! - todos os que vão compor o “grupo técnico consultivo” criado pela Direcção-Geral de Saúde para colaborar na definição e implementação de programas quaquaquá (basicamente, uma rave de tachos à espera de acontecer).
Nota: não fumo, não gosto que me fumem para cima nem para cima dos meus filhos e acho que se impunha uma lei proibitiva e defensora dos direitos dos não-fumadores. Mas também acho que a sociedade civil (e eu, como membro dela) foi conviente com ou, pelo menos, aceitou de forma demasiado passiva e durante demasiado tempo um certo estado de coisas, para pretender vir agora, de um dia para o outro, dar caça ao bicho-fumador com esta sanha toda e por meio de uma converseta legal que lembra os tempos da outra senhora.
toda a gente enche a boca com a palavra "tradição". Mas a "tradição" pode ser uma bela merda.
Quinta-feira, Janeiro 03, 2008
2007 não foi um ano bom. Aliás, 2006 já não o fora. Pensando bem, há dois anos que vivo num limbo de afectos e de hesitações profissionais, com algumas dores e uma certa imprevisibilidade à mistura. Acidentes, de percurso e não só, doenças, confrontos, desilusões. Nada disto interessa ao blogue, como é óbvio. Dizem que o sofrimento faz crescer, mas isso é uma grande treta: esta ideia (um mero mecanismo de compensação) é uma muleta, como deus, que nos ajuda a suportar a bordoada e a ultrapassar os estragos. A dor não nos amadurece; antes, torna-nos mais pungentes as fragilidades e inseguranças, definindo a carvão grosso o nosso sentido de mortalidade. Não seguimos em frente por causa da dor; seguimos em frente apesar dela. O que nos faz maiores e mais lúcidos, o que nos empurra pelas costas, é o amor, isso sim. Neste início de ano carrego comigo várias pendências, por isso não saltei da cadeira e aldrabei nas passas. Não vale a pena grandes resoluções, quando por dentro hesitamos no caminho e nos encruzilhamos o futuro. Alimento obviamente a esperança de que 2008 seja um ano melhor que os anteriores – o que também não será difícil. Quanto mais seja, porque mais um ano significa mais dias, semanas e meses, despejados por cima dos anteriores: o tempo em camadas sucessivas ajuda ao esquecimento. Chegarei ao momento de saber que, nestes dois péssimos anos, felizmente nada aprendi; e, com um bocado de sorte, recuperarei as franjas de uma certa inocência perdida e constatarei que, à beira dos quarenta, continuo a miúda sardenta e de joelhos esfolados que sempre fui: barulhenta, perdulária, mimada e meio maluca e inconsciente, rodeada de amor e de coisas boas. No fundo, é isto que desejo para todos: a medida certa de loucura e inocência, e a desmesura do amor. Rasgos de felicidade, enfim. Um Bom Ano.


